Deu apenas o esperado. Nem mais, nem menos. A oposição compareceu para cumprir tabela. O governo faltou, como já havia anunciado desde a véspera....

Deu apenas o esperado. Nem mais, nem menos. A oposição compareceu para cumprir tabela. O governo faltou, como já havia anunciado desde a véspera. A sessão foi aberta na hora marcada. A pontualidade foi pedagogicamente aprendida na última tentativa, quando o senador Paulo Duque (PMDB-RJ) esperou os quinze minutos regimentais e encerrou os trabalhos.

Todo mundo já sabia que ia ser assim. O Senador Artur Virgílio havia até anunciado na véspera: “como é que eu vou ficar indignado amanhã se já sei o que eles (governistas) vão fazer desde hoje?”.

A novidade do dia é que a oposição está revendo sua estratégia e pode abrir mão da relatoria das ONGs para fazer deslanchar os trabalhos na CPI da PETROBRAS. O governo tem negado quórum à sessão de instalação com o argumento de que o relator da CPI das ONGs, por acordo, foi indicado pelo bloco da maioria — o cargo, hoje ocupado por Artur Virgílio, deveria ser entregue a um parlamentar indicado pela bancada governista.

Alguns senadores dizem que o esvaziamento da CPI é apenas uma tática para esperar o recesso parlamentar. Mas há tempo demais para isso. O senador Paulo Duque nao tem pressa, mas prometeu marcar a próxima reunião para quando tiver “certeza de que haverá clima para a instalação”.

Nas manchetes dos jornais de amanhã vai aparecer o aviso de que os tucanos podem recorrer ao STF para obrigar a CPI a funcionar. Mas isso não vai acontecer. Não há meio de amarrar os senadores e obrigá-los a estar em plenário no momento das sessões. Não há base legal para isso e, ainda que houvesse, é preciso lembrar que a oposição se vale do mesmo expediente para impedir a votação de assuntos de interesse do governo para suas conquistas políticas. Seria o fim da obstrução. Caracterizaria uma intromissão aberrante.

A saída é política. Foi defendida pelo senador Álvaro Dias (PSDB-PR) e logo desautorizada pelo líder Artur Virgílio. Ele quer discutir com a bancada na próxima terça-feira, no almoço em que todas as semanas a bancada tucana acertas seus ponteiros. Provavelmente vai prevalecer a idéia de que é melhor entregar os anéis — a relatoria da ONGs — para salvar os dedos (a investigação da PETROBRAS).

Falta apenas combinar com o adversário.

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