A 18ª DP (Praça da Bandeira) do Rio de Janeiro abriu nesta sexta-feira um inquérito para investigar as circunstâncias da morte do ex-vereador do...
A 18ª DP (Praça da Bandeira) do Rio de Janeiro abriu nesta sexta-feira um inquérito para investigar as circunstâncias da morte do ex-vereador do Rio e ex-diretor da Igreja Universal do Reino de Deus Waldir Abrão. Ele foi encontrado caído com um ferimento na cabeça, no dia 24 de novembro, no corredor interno do prédio onde vivia na Tijuca, Zona Norte do Rio. A delegacia abriu o procedimento a pedido do técnico de marketing Maurício Rodrigues Abrão, filho do ex-vereador. Abrão morreu dois dias depois da queda, no Hospital Souza Aguiar.
De acordo com reportagem publicada nesta sexta no jornal “Folha de S.Paulo”, no dia 18 de novembro, seis dias antes de morrer, Abrão, que tinha 81 anos, registrou um documento de 23 páginas no escritório Marzagão, Amaral e Leal Advogados, em São Paulo. No texto, o ex-vereador relata que foi usado como laranja da Universal e explica como entrou na igreja na década de 70, citando formas de arrecadação de dinheiro de fiéis. Abrão registrou que teve seu nome usado indevidamente pela igreja em 20 operações de empréstimos falsos que teriam trazido dinheiro do exterior para a compra de uma TV em Goiás.
Pedido do filho para investigar a morte foi feito no início de dezembro
O pedido do filho foi feito no início de dezembro, mas o inquérito só instaurado às 17h desta sexta. Os inspetores da delegacia agora começaram a investigar o caso como suspeita de homicídio. Já foram pedidos o boletim de atendimento médico e o exame feito no corpo pelo Instituto Médico Legal. A 18ª DP também já começou a arrolar possíveis testemunhas, como vigilantes do prédio, familiares e vizinhos.
Na declaração registrada em São Paulo, Abrão anexou documentos que comprovariam que, no período em que trabalhava para a Universal, fez movimentações financeiras superiores ao seu patrimônio. Por isso, segundo a reportagem da “Folha”, a Receita Federal autuou o ex-vereador por aparecer como tomador de empréstimos, que nunca foram pagos, assinados no início da década de 90 com as empresas Cableinvest e Investholding, ambas sediadas nas Ilhas Cayman. Abrão teria dito que os empréstimos eram parte do esquema ilegal de remessa de dinheiro da Universal.
Na declaração, Abrão afirma ser o “maior laranja” da igreja, e isso teria acontecido porque ele aceitou o convite do fundador da Universal, Edir Macedo, para se tornar vereador no Rio. Abrão também teria dito que os bispos exigiam que os vereadores ligados à igreja aumentassem a “arrecadação” de seus gabinetes, pedindo dinheiro de empresários em troca de apoio político para a aprovação de projetos no plenário da Casa.
O filho de Abrão enviou uma carta à delegacia, na qual diz que a morte do pai está vinculada ao depoimento registrado em São Paulo. Maurício Abrão afirma que há “interesses escusos de terceiros em sua morte”.
Clique aqui para ler a íntegra no site de O Globo
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