O ainda governador José Roberto arruda organizou pessoalmente a contabilidade da propina arrecada de empresas de informática que prestam serviços a seu governo. Foi...

O ainda governador José Roberto arruda organizou pessoalmente a contabilidade da propina arrecada de empresas de informática que prestam serviços a seu governo. Foi o que disse o ex-secretário de Relações Institucionais do GDF à Procuradora Raquel Dodge em depoimento prestado no dia 3 de dezembro.

De acordo com Durval, Arruda descentralizou a contratação de empresas de informática assim que tomou posse, em janeiro de 2007.  Também foi criada uma agência de Tecnologia que, no entanto, era um órgão meramente consultivo, não tendo como encargo o ordenamento de despesas. O escolhido para presidí-la, Luis Paulo Costa Sampaio, teve seu nome pinçado pelo governador de uma lista tríplice de colaboradores de sua campanha.

Com isso, de acordo com Durval, Arruda acabou “perdendo o controle sobre os contratos que foram sendo assinados pelos órgãos e entidades vinculados ao GDF, e, sobretudo, sobre o retorno financeiro que ele proprio teria em termos de propina”.

Em consequência desse descontrole, Durval Barbosa declarou que Arruda decidiu “comunicar que havia decidido unificar o modo de recebimento da propina na área de informatica, visto que até aquela data os titulares dos orgãos contratantes nao vinham prestado contas das propinas que estavam sendo exigidas e cobradas”.

No depoimento ao Ministério Público, Durval contou que foi então encarregado de unificar a coleta da propina. A delegação foi foi feita em confiança porque  o governador “precisava de alguem que fosse leal a ele para fazer a prestação de contas, ou seja, alguem que nao omitisse as entregas feitas pelas empresas”. Arruda teria dito a Barbosa que “o conhecia ha muitos anos e que confiava [nele], porque sempre prestou contas da propina que recebeu no período em que ele, Arruda, não era o governador”.

A única “exceção” seria o gerenciamento da propina amealhada do Instituto Sangari, beneficiado com um contrado de R$ 300 milhões, assunto afeto ao próprio governador, que teria recebido o suborno diretamente.

O ex-secretário de Relações Institucionais também afirmou que ele próprio organizava e acompanhava a execução dos pagamento em uma planilha e informava ao governador para que os pagamentos fossem liberados.

 

A propina, segundo Durval, “correspondia a um percentual calculado sobre o valor efetivamente pago em cada parcela” e “esse mesmo sistema, criado por ARRUDA, foi empregado em todos os setores de atuação do Governo do Distrito Federal”. O percentual cobrado variava entre um e quatro por cento.

Duraval Barbosa disse que suas atribuições eram limitadas à coleta de suborno das empresas de informática. Outros arrecadadores tinham encargos setoriais semelhantes. Na área de obras, os arrecadadores de propinas seriam o proprio Arruda, Márcio Machado e José Eustáquio; na  Esporte, Brasiliatur e Educação, Fábio Simão; na de publicidade, Wellington Moraes; e em outras áreas, Omésio Pontes, Renato Malcoti e Paulo Roxo.

O repasse da propina aos membros do governo seria feito por Domingos Lamoglia e José Geraldo Maciel, este último encarregado de repartir o suborno entre os deputados distritais.

A engenharia do negócio paralelo beirava a extorsão. Os “arrecadadores” se reuniriam várias vezes por mês com o governador para prestar contas da coleta de propina. Empresas que não pagassem ou atrasassem os repasses era punidas com “a suspensão do pagamento de parcelas futuras do contrato de prestação de serviços ou das parcelas de reconhecimento de dívida” até a efetivação dos acertos.

 

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