A último levantamento do quadro eleitoral em Brasília, feito pelo Datafolha entre os dias 14 e 18 deste mês, revela que a inviabilização política...

A último levantamento do quadro eleitoral em Brasília, feito pelo Datafolha entre os dias 14 e 18 deste mês, revela que a inviabilização política do ainda governador José Roberto Arruda leva ao risco iminente da eleição do ex-governador Joaquim Roriz já no primeiro turno da próxima eleição. Em todos os cenários projetados, Roriz tem entre 44% e 48% da preferência do eleitorado e venceria no primeiro turno.

A inferência mais lógica possível do que emana do imaginário dos eleitores é a seguinte: na ausência da criatura, vota-se no criador do maior esquema de corrupção da história do Distrito Federal.

O DNA de Joaquim Roriz está indelevelmente inscrito na gênese do escândalo do Mensalão do DEM, que demonstrou ser generalizada a corrupção do governo de Brasília. É a única coisa que se pode concluir das revelações de Durval Barbosa, o ex-secretário de Relações Institucionais responsável pela transferência do know-how desenvolvido por Roriz para a organização criminosa comandada por José Roberto Arruda.

Em depoimento prestado ao Ministério Público no dia 2 de Dezembro, Durval Barbosa detalha como foi montada a engenharia do sistema paralelo de arrecadação que perdurou até a eclosão da Operação Castelo de Areia. Ele afirmou que recebeu da mão do secretário de governo Benjamin Roriz, primo do então governador,  ordens para que todos os serviços de informática solicitados por órgãos púbicos fossem contratados através do Instituto Candango de Solidariedade (ICS).

O próprio Bejamin Roriz, segundo Durval Barbosa, teria elaborado o modelo do contrato de gestão, um ” “contrato guarda-chuva” de objeto muito amplo, o qual permitia gue se incluisse “qualguer coisa”, sem qualquer controle”.

Barbosa era então presidente da poderosa CODEPLAN, que passaria a atuar como uma espécie de agência centralizadora das ações criminosas do grupo que visavam a arrecadação de suborno de fornecedores do GDF. Ele disse aos promotores e procuradores que o inquiriram que, com a adoção desse modelo de gestão,  “quando urn orgão do governo Roriz pretendia a prestação de um serviço de informática para o qual tinha disponibilidade orçamentária, deveria, ao invés de abrir processo licitatório proprio, solicitar a contratação ao Presidente da CODEPLAN, o qual, por sua vez, encaminhava o pedido de contratação ao ICS”.

O denunciante afirmou que a própria CODEPLAN teve negados pedidos de contratação que não passassem pelo ICS. Uma vez direcionados ao esquema, os recursos eram logo liberados. Era assim em toda a máquina pública, que Roriz trasnformou em máquina de fazer dinheiro durante sua última gestão.

Ao assumir o governo do Distrito Federal, Arruda convocou Durval Barbosa para consultá-lo sobre o que ele achava que deveria ser feito em relação aos resíduos de irregularidades deixados pelo esquema CODEPLAN-ICS.  A resposta, pelo que está consagrado nos autos, foi que “as duas entidades guardavam muitos documentos que comprovavam o atendimento de contratações que favoreciam o interesse financeiro pessoal de ARRUDA durante o Governo RORIZ”

A solução, de acordo com o denunciante, foi proposta pelo próprio Arruda, que “deterrninou que [o corregedor]  ROBERTO GIFFONI queimasse muitos dos docurnentos produzidos no ICS, assim que assurniu a Governo em 2007”. Ou seja: ao se apossar da máquina de porpinas inaugurada por Roriz e da qual ele mesmo havia se valido, Arruda  monta uma operação para destruir documentos públicos e apagar suas próprias pegadas.

Para quem conhece minimamente como se deu a transferência dessa “tecnologia da delinquência” entre uma gestão e outra, fica claro, pela descrição detalhista de Durval Barbosa, que não há distinção possível entre os negócios escusos de Roriz e os de Arruda.

O preocupante é a constatação de que a percepção da corrupção pelo eleitorado, que foi capaz de desisdratar a hipótese de uma candidatura Arruda (na sondagem do Datafolha, Arruda ainda não havia abandonado o DEM), produziu uma corrida  em direção à candidatura Roriz. Ou seja: não importa quem é o ladrão de plantão, parece haver uma necessidade candente de manter os esquemas de corrupção.

Pelo menos por enquanto, o que se pode depreender do levantamento do Datafolha é que tem razão a psicóloga social Sandra Jovchelovitch, autora da pesquisa “Representações Sociais e a Esfera Pública”. Ela causou polêmica semanas atrás ao conceder uma entrevista ao jornal Folha de São Paulo afirmando que o corrupção corre nas veias do brasileiro.

No caso do Distrito Federal, no entanto, não há como negar que a solução do escândalo de corrupção, no imaginário popular, passa necessariamente pela volta consagradora ao estado gerador do problema.

Se a criatura não foi capaz de se sustentar na barafunda de seus vícios, chame-se de volta o criador.

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