Uma das coisas que mais me chocaram em todos esses escândalos de Brasília foi a vinculação do nome do deputado Augusto Carvalho ao esquema...

Uma das coisas que mais me chocaram em todos esses escândalos de Brasília foi a vinculação do nome do deputado Augusto Carvalho ao esquema de corrupção montado por José Roberto Arruda. Confesso que tenho uma dificuldade enorme de conceber que Augusto tenha se transformado a ponto de ficar parecido com os Arrudas, POs e outros que aparecem atolados até o pescoço no mar de lama sobre o qual bóia Brasília.

Augusto Carvalho, um político com quem convivo desde os primórdios de sua carreira parlamentar, sempre me pareceu uma pessoa séria, honesta e muito bem intencionada. Hoje, à luz de tudo o que a sociedade ficou finalmente sabendo, me pergunto o que foi que aconteceu com ele.

Sigo achando que é muito difícil entender que a metamorfose provocada pelo pragmatismo do Poder é capaz de transformar o caráter de um homem até fazer dele um pária. E continuo não acreditando que Augusto Carvalho virou um safado como os outros. Mas é muito estranho vê-lo na berlinda.

Essa tentativa de empastelar uma publicação, por mais ácida e injusta que fosse a crítica nela contida, deixa claro que o tempo criou e isolou dois Augsutos Carvalhos. O de vinte anos atrás, que parecia sobreviver ao passar das sucessivas ondas de denúncias, jamais admitiria que o de hoje tomasse uma iniciativa canhestra como essa.

Imagino que tudo isso deve estar custando caro a ele. E lamento seu sofrimento. Mas recoheço que ele é merecido.

Augusto Carvalho não tinha nada que se envolver com um governo notadamente corrupto como esse. Todo mundo em Brasília sabia disso — ele,  mais do que ninguém, tinha tudo muito claro. Conhecia a gênese, cansou de denunciar os mesmos esquemas, as mesmas pessoas, neste e nos governos anteriores. Ele está cansado de saber quem é Durval Barbosa, quem é Arruda, quem é Roriz, quem é essa caterva toda que tomou de assalto o Distrito federal.

Ele é bancário. Não entende nada de saúde. Não tinha nada que fazer naquela secretaria, responsável pelos mais degradantes serviços que um Estado pode prestar aos pagadores de impostos. A menos que estivesse realmente imbuído da missão que agora lhe imputam como prática criminosa — hipótese na qual, repito, me custa muito acreditar.

Não adianta alegar que não sabia o que o seu imediato fazia. As suspeitas são gravíssimas. E não se trata apenas de maldades entabuladas pelo “inimigo” Durval, com quem ele conviveu pacificamente por meses na condição de colega de governo até a eclosão das denúncias.

Tenho muita pena do que está acontecendo com ele. Tenho mesmo.

Para evitar sua descida ao reino de Hades, deveria ter se lembrado de um adágio antes de fazer a escolha mais errada de toda sua vida:

Diga-me com quem andas e eu te direi quem tu és.

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