“No Natal tivemos missa luterana, ceia de natal especial e muitos presentes, além de um décimo-terceiro salário. Aqui não existe trabalho escravo prisional como aí”....

No Natal tivemos missa luterana, ceia de natal especial e muitos presentes, além de um décimo-terceiro salário. Aqui não existe trabalho escravo prisional como aí”.

Hosmany Ramos

 

O cirurgião plástico Hosmany Ramos é uma das personalidades mais controvertidas da história recente do País (mesmo neste momento, em que se encontra bem longe daqui). Aluno exemplar de Ivo Pitanguy, frequentou a alta sociedade carioca antes de enveredar pela vida de crimes.

Condenado a mais de 30 anos de prisão por acusações gravíssimas como assassinato, sequestro e roubo, ele diz por que está se preparando para recorrer contra a decisão do governo islandês de extraditá-lo para o Brasil.

Entre voltar aos cárceres daqui e permanecer onde está,  deixa clara sua preferência pela pequena ilha no norte da Europa. Não é difícil entender o motivo a partir da descrição que ele faz de sua ceia de Natal.

Hosmany não aceita que a Justiça brasileira não lhe dê o direito à remissão ou redução da pena porque seu trabalho, escrever livros, não conta para esse fim.

Enquanto não volta ao Brasil, está finalizando o lançamento de seu décimo livro, cujo título, já escolhido, será “Ladrões de Banco”.

No dia em que sua última fuga anunciada completou um ano, ele concedeu ao Blog a entrevista exclusiva que você vai ler agora.

 

Blog: Como o sr. recebeu a notícia de que o governo islandês autorizou sua extradição ao Brasil ?

Hosmany Ramos: Foi surpreendente. Parece existir algo ‘under the table’ . A decisão viola a lei daqui, e advogados acionarão a Ministra, exigindo , inclusive, idenização. É um país civilizado, onde tudo é muito sério.

Blog: O sr. teme a votla ao Brasil, onde já se disse ameaçado ?

Hosmany: No meu website, critiquei autoridades prisionais de Sampa, por isso corro risco. Daí a advogada ter conseguido apoio do Tuma para ir para Tocantins. Cumpri 27 anos em Sampa, e minha pena paulista é de 9 anos. Não justifica voltar para Sao Paulo, quando não tenho mais pena a cumprir naquele estado.

Blog: Sei que o sr. está terminando mais um livro. Como se chama e qual é a eistória ?

Hosmany Ramos: Ladrões de Banco. É meu novo romance escrito na Islândia. Estive na Ilha do Diabo e vi no museu o manuscrito do livro “Banco”, do Papillon. Aquilo ficou na minha cabeça durante a temporada norueguesa. Escrevi aqui na Islândia, durante 100 dias, trabalhando 10 horas diárias, para preencher o ócio da prisão

Blog: Como foi a acolhida de “O Goleador” ?

Hosmany Ramos: Muito boa. O Michel, meu tradutor, esta iniciando a tradução para o francês. No “Goleador”, enfatizo a necessidade da arbitragem eletrônica. Se houvesse, o gol de mão do Henry, no jogo da França contra a Irlanda, não teria sido validado.

Blog: O sr. está informado sobre os escândalos de corrupção, especialmente o que envolve o governo do Distrito Federal ?

Hosmany Ramos: A corrupcao é um câncer que está acabando com o Brasil. Por isso não sobra grana para escolas e saúde . Abordo o tema no meu romance Bank Robber em profundidade.

Blog: Como é a relação dos políticos islandeses com o bem público ?

Hosmany Ramos: Aqui a corrupção é zero.  Por isso eles têm as melhores escolas e a melhor saúde do mundo, além do melhor nível de vida. O mesmo poderia ter o Brasil, se não houvesse tanta roubalheira e desvio do erário público.

Blog: Por favor, descreva para mim como é a sua cela, como são as condições sanitárias do presídio onde o sr. vive, quantas pessoas estão abrigadas na mesma cela.

Hosmany Ramos: Já fiz essa descrição antes. No natal, tivemos missa luterana, ceia de natal especial e muitos presentes, além de um décimo-terceiro salário. Aqui não existe trabalho escravo prisional como aí.

Blog: Estamos em pleno inverno no Hemisfério Norte e o sr. está em um dos lugares mais gelados do planeta. Como tem sido enfrentar os dias curtos (e normalmente depressivos) do inverno quase polar ?

Hosmany Ramos: Com o aquecimento global, aqui não existe um milímetro de neve . Nada. Entretanto os dias são curtos, e isso me inspira a sentar e escrever.

Blog: Eu gostaria de conhecer sua opinião sobre o comportamento do governo brasileiro em relação à extradição do ex-guerrilheiro italiano Cesare Battisti e o caso do menino Sean Goldman.

Hosmany Ramos: Apoio a não extradição dele . Battisti é um escritor e o Brasil necessita de pessoas inteligentes. T’á na hora do Lula mostrar personalidade e não extraditar. Quanto ao Sean Goldman, é vergonhoso. O filho homem necessita do pai. A psicologia atesta isso.

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