Por Luciano Martins Costa Trabalhei com Boris Casoy na Folha de S.Paulo há muitos anos. Sei que, como muitos jornalistas, eu inclusive, tem o...

Por Luciano Martins Costa

Trabalhei com Boris Casoy na Folha de S.Paulo há muitos anos. Sei que, como muitos jornalistas, eu inclusive, tem o hábito de fazer piadas politicamente incorretas sobre tudo. Conversa de botequim, que sempre rola nas redações. O deslize deve ser encaixado nesse contexto. Nada mais.

Quem trabalha com rádio e TV sabe que não deve falar nada fora do roteiro. A lei de Murphy está em pleno vigor.

Tenho muitas divergências com relação ao que ele pensa. Na verdade, tenho com ele mais divergências políticas e de visão de mundo do que convergências.

Mas preciso testemunhar publicamente sobre um episódio que ocorreu há mais de vinte anos. Na ocasião, como repórter da Folha, eu fiz uma matéria sobre como o Doi-CODI ainda funcionava nas sombras, durante o processo de redemocratização.

Um editor assistente pouco experiente resolveu me “homenagear” e assinou a matéria. Comecei a receber ameaças de morte e cheguei a ser seguido no caminho de casa para o jornal.

Comuniquei à diretoria e Boris foi pessoalmente a Brasilia falar com o ministro do Exército e exigir que o governo garantisse minha integridade. Foi lá, deu o recado e me informou.

Nunca usou isso a seu favor, nunca cobrou um agradecimento, apenas fez o que deveria ser feito. Ele pode parecer arrogante no trato, pode ser ou parecer conservador demais e demasiado moralista, mas devo a ele esta atitude.

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