Acuado por uma crise sem precendentes na história do Senado, o presidente da instituição, José Sarney (PMDB-AP), vai fazer um pronunciamento no início da...

Acuado por uma crise sem precendentes na história do Senado, o presidente da instituição, José Sarney (PMDB-AP), vai fazer um pronunciamento no início da sessão deliberativa desta terça-feira. Sarney passou o dia todo reunido com sua assessoria. Ele deve anunciar a demissão do atual diretor-geral do Senado, o advogado Alexandre Gazineo, e divulgar as conclusões de uma sindicância aberta por iniciativa do primeiro-secretário Heráclito Frotes (DEM-PI).

Gazineo vem insistindo que não tinha conhecimento da existência de atos secretos que foram editados às centenas — muitos com a assinatura dele. O atual diretor-geral foi assistente de Agaciel Maia, que por 14 anos se estabeleceu como uma espécie de tsar da burocracia legislativa com plenos poderes para quase tudo, como se vê agora.

Não se sabe ainda quantos atos secretos foram editados. Fala-se em pelo menos quinhentos, usados discricionariamente sempre que dirigentes ou senadores queriam ocultar algo possivelmente eivado de irregularidades. Parentes de Sarney, Gazineo e de Agaciel foram contratados e exonerados secretamente. Horas extras foram concedidas, promoções e nomeações — e tudo devidamente chancelado pelos boletins secretos, que ferem o princípio da publicidade dos atos dos Três Poderes.

Outra providência será anunciar os resultados da sindicância aberta para investigar os atos secretos. O relatório final deveria ser divulgado pelo senador Heráclito fortes, que está se recuperando de uma cirurgia de redução do estômago feita em São Paulo, na última quinta-feira. Heráclito, cuja alta está prevista para esta quarta-feira, deve permanecer na capital paulista até o fim da semana. Hoje, os dois conversaram por telefone durante todo o dia.

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