Autor: José Martins Paiva , o Gari Martins da Cachoeira Campina Grande (PB) Sou a água sanitária das ruas,Sou um agente de limpezaQue promove a belezaDo...

Autor: José Martins Paiva , o Gari Martins da Cachoeira

Campina Grande (PB)

Sou a água sanitária das ruas,
Sou um agente de limpeza
Que promove a beleza
Do espaço natural.

Sou um atleta correndo atrás do coletor.
Com uma vassoura na mão,
Com a carroça e uma pá,
Promovo a varrição tentando modificar
Só não modifico a consciência
Dos que não querem se conscientizar.

Trabalho de domingo a domingo
Debaixo de sol e chuva,
Pegando impurezas nas ruas
Sem máscara e sem luvas.
Ando pendurado na porta de um caminhão
Como um carrapato na orelha do cachorro,
Meu Deus!
Se cair eu morro
Pois segurança não tem.

Na agonia, no reboliço,
Assim ando em desespero
Sendo tratado pior que o lixo
Por alguns administradores
Que não sentem os horrores
Que passamos durante o dia,
Pegando carniça com as mãos limpas
Porque as luvas desapareceram.

Sem falar nos grandes germes
Que se estampam em minha pele,
E às vezes melando-se de fezes
Para dar nome ao poderoso chefão.
Ate parece que sou um homem invisível
Porque as pessoas passam por mim
E me chamam de lixeiro
Como se eu fosse um depósito de lixo.

Será que sou a imundíce do mundo?
E por que sou tão desprezado?
Pois os meus direitos trabalhistas
Que ss governantes populistas
Repassam como mero favor.
Sem falar no horror
Em ver alguns sindicalistas
Defendo o poderoso chefão
Que sempre fecha a mão
Para não beneficiar a gente.

Bem sei que o louvor
Da cúpula nunca terei
Porém continuarei exercendo
Minha função com muito amor.

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