Artigo postado pelo Psicólogo Clínico Mário Lunardi, de Curitiba, PR   No twitter, como tudo na Internet, podemos achar lixo ou ouro, depende de...

Artigo postado pelo Psicólogo Clínico Mário Lunardi, de Curitiba, PR

 

No twitter, como tudo na Internet, podemos achar lixo ou ouro, depende de onde se procura. Ontem o texto de André de Moura publicado neste blog sobre cyberbulling foi destes que fazem refletir.

O Autor, com toda a razão, se horrorizava com o grau de violência verbal perpetrada por alguns freqüentadores de redes sociais. Em qualquer discussão estes usam palavrões e argumentações rasteiras para atingir a pessoa que deles discorda, numa tentativa de desqualificá-la.

André ressalta, como é óbvio, o fator anonimato usado pelos agressores. Sem ter alguém real para me dirigir como reagir? Daí a angústia que os agredidos sentem quando atacados nesse nível. As frases soltas no espaço os atingem como pura linguagem, sem que haja o suporte de um outro real para o retorno.

Inconscientemente os agressores sabem disso, e aí reside sua covardia. Por isso, se forem trazidos para o mundo real, onde há leis, responsabilidade e conseqüências dos atos, dificilmente sustentarão sua personalidade virtual. Os fatos acontecidos nos EUA e mesmo no Brasil, onde adolescentes cometeram crimes que já anunciavam nas comunidades virtuais, para mim são exceções patológicas, que confirmam a regra. E a regra é a covardia moral. Se trazidos para o mundo real não apresentarão ameaça serão sim, dignos de pena, em ambos os sentidos da palavra.

Mas como chegamos a este ponto?

Sempre que leio alguma coisa sobre o assunto tenho a impressão que falta algo. A discussão é sempre focada nas figuras do agredido ou agressor tomados isoladamente. A pergunta que eu me faço é sempre a mesma, onde estão os pais dessas crianças? Como é que uma criança de menos de 10 anos em alguns casos já tem conta no Orkut, e estão expostas a este tipo de ação?

Nosso mundo dito moderno impõe um ritmo verdadeiramente alucinante. Sem dúvida hoje é mais difícil criar um filho em todos os sentidos. Mas o fato de ser mais difícil, cansativo e desgastante, não elimina o fato que os filhos terão a sua estabilidade garantida na razão direta da atenção que receberem dos pais. Atenção em sentido amplo.

Sendo pai de dois meninos de 6 e 3 anos respectivamente e pior, morando em apartamento, vejo no computador duas coisas em relação aos dois. Primeiro é uma ferramenta que deve ser introduzida e ter o uso incentivado é parte do mundo deles agora e para sempre. Sempre escuto a frase: – Eles já nascem sabendo usar o mouse. Não é verdade. Eles aprendem a usar o mouse e nós temos que estar ao lado deles para ver como usam. E como aprendem rápido.

Em segundo lugar, o computador seria um alívio para mim, já que se deixar eles ficam lá jogando o dia inteiro. Se eu deixar. Mas não deixo. Uma hora, dia sim e dia não, para os dois é a regra. Religiosamente cumprida. O computador sendo apenas mais instrumento e não O instrumento. Dá mais trabalho? Dá. Mas o retorno é extremamente prazeroso. Não havendo este corte o quê pode acontecer?

Poderemos ter sujeitos que crescem absolutamente sem poder fazer a distinção entre sua vida, digamos assim, cibernética, e a real. E não há como se enganar, ou há, mas não se foge das conseqüências, o que recebemos dos filhos é o resultado da nossa ação como pais. E quanto mais novos, mais isso é verdade. Porque se não se formarem os laços familiares outros se formarão.

Nossa sociedade está chegando a um ponto que será necessário a revisão de alguns conceitos sob pena de não podermos mais nomeá-la como sociedade. A modernidade que muitas vezes é colocada como um fato inexorável não é um destino é uma escolha. E uma escolha nossa. Para onde iremos?

 

Comentários


Sem comentários ainda.

Comente!

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *