Interrompo minhas férias, quebrando a promessa que havia feito à minha mulher, para postar este artigo que tem o propósito de lancar um pouco...

Interrompo minhas férias, quebrando a promessa que havia feito à minha mulher, para postar este artigo que tem o propósito de lancar um pouco mais de luz sobre o Sombra, o jornalista que vai colocar Arruda na cadeia. Não falei com ele nem pedi sua autorização, mas preciso fazer algo que um jornalista só faz em caráter excepcional: quebrar o sigilo da fonte.

No começo de 1996 fiz uma reportagem que revelava como agiam as quadrilhas de grileiros que começavam a atuar em Brasília transformando terra pública grilada em empreendimentos milionários. A matéria, que teve uma hora de duração, foi veiculada pelo programa domingo Dez, da Band. E gerou uma repercussão institucional enorme. Criou-se uma CPI para apurar a grilagem, muita gente foi presa e ficou demonstrado o envolvimento direto e indireto de autoridades do GDF.

A fonte da reportagem foi o jornalista Edmilson Edson, o Sombra. Ele próprio acabara de ter três terrenos recém-adquiridos grilados. Representavam todo o seu patrimônio.

Sombra deu duas entrevistas nas quais não era possível identificá-lo, a não ser por sua voz. Foram as peças centrais da reportagem. Também me ajudou a coletar material para comprovar o envolvimento de pelo menos um senador da República com uma das quadrilhas. Como passou a conhecer em minúcias a logística dessas quadrilhas, foi ele quem me ajudou a montar um “condomínio” em plena Esplanada dos Ministérios e a registrar, num cartório de notas, a compra do “terreno” onde estão o Palácio do Planalto e os ministérios.

Se o DF conheceu a articulação dessas quadrilhas, deve isso a Sombra. E ele o fez anonimanente, sem jamais solicitar o reconhecimento de seus méritos.

Pagou caro pela iniciativa. Foi ameaçado, ficou sob proteção policial e acumulou prejuízos financeiros. Viveu quase clandestinamente durante meses. Sombra teve, literalmente, que viver à sombra do Poder em Brasília, especialmente quando o ex-governador Joaquim Roriz voltou a mandar na Capital da República.

Depois de quinze anos de convivência com ele, posso afirmar que sombra é sério, sabe do que fala e não seria capaz de participar de uma montagem, como alega a defesa de Arruda. Ao contrário: Se ele afirma, é porque o assunto é sólido e pode ser demonstrado.

Brasília deve muito ao Sombra. Vai ficar devendo mais uma. A imagem do ainda governador sendo conduzido ao presídio da Papuda, que ainda não se materializou, terá sido sua maior obra.

Os candangos honestos haverão de agradecer.

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