Acabou o jogo de Arruda. Encantoado por todos os lados, abandonado pelos aliados de conveniência, impossibilitado de dar sequer um telefonema, ele não tem...

Acabou o jogo de Arruda. Encantoado por todos os lados, abandonado pelos aliados de conveniência, impossibilitado de dar sequer um telefonema, ele não tem alternativa a não ser renunciar.

O foro especial, instituto criado para proteger os poderosos, revelou-se uma armadilha no caso inédito do governador afastado de Brasília. A decisão de afastar Arruda e encarcerá-lo na Superintendência da PF é tão drástica quanto uma sentença. Os advogados do governador-presidiário sabem que a única chance de tirar o cliente da cadeia é demonstrando ao Judiciário que ele não tem mais os instrumentos para interferir no curso do processo. Ou seja: que não tem mais o mandato.

Por outro lado, o envio do processo para a primeira instância da justiça comum seria plenamente favorável a ele. Começando praticamente do zero, teria mais chances de conseguir uma condenação mais leve e, quem sabe, até livrar-se da cadeia.

No Legislativo local, que em matéria de estatura moral não é em nada diferente de Arruda, o mandato do ainda governador não vale um tostão furado. Com aliados nutridos pelo esquema de corrupção que o levou ao cárcere, o impeachment é favas contadas. Os distritais vão dar os anéia — o mandato de Arruda — para salvar os dedos — seus próprios mandatos.

O vice-governador Paulo Octávio também é um homem acuado. Sócio nas vantagens auferidas ao longo dos três anos dessa parceria, Arruda e PO nunca foram amigos — por esta razão, o primeiro não espera  nenhum gesto de solidariedade do segundo. O vice em exercício não foi capaz sequer de honrar o pedido dos aliados de ambos de que fosse visitar o primeiro-mandatário do DF na PF.

Arruda ainda enfrenta um situação complicada dentro de casa. Isso é problema dele e das relações familiares que construiu. Mas colabora para construir o clima psicológico adverso com que ele enfrenta todo esse processo.

Arruda já era. Vai renunciar no começo da quaresma — se for um pouco mais inteligente do que demonstra ter sido até agora.

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