Quem visita a suntuosa sede do Tribunal de Justiça de Mato Grosso tem que passar ao lado de um fonte construída ao lado da...

Quem visita a suntuosa sede do Tribunal de Justiça de Mato Grosso tem que passar ao lado de um fonte construída ao lado da entrada principal. É impossível não perceber a rosa-dos-ventos azul e branca que ornamenta o fundo do lago da fonte. É o símbolo da interferência do pode dos maçons que há anos comandam o Judiciário naquele estado do Centro Oeste brasileiro.

O poder da maçonaria, no entanto, é muito maior do que o que seria suficiente para construir ícones de ajulejo em prédios públicos de um Estado por definição laico. A maior obra dos juízes-maçons é a séde da Loja Maçônica Grande Oriente do Mato Grosso, erguida a menos de 500 metros do Fórum de Cuiabá — e simultaneamente a ele.

A sede da Grande Oriente do Mato Grosso motivou a abertura de um procedimento investigatório criminal instaurado em 2007, ano na inauguração do prédio. As primeira suspeitas já apontavam a responsabilidade de Marcelo Souza de Barros, juiz-auxiliar da presidência do TJ/MT. O magistrado já respondia a outros processos — como o de favorecer o escritório de advocacia de um irmão com o desvio de processos de créditos de precatórios.

Quando o sigilo bancário do juiz foi quebrado, descobriu-se uma vultosa movimentação de saques e depósitos em dinheiro vivo. Um dos depósitos, de R$ 83 mil, foi feito pela concessionária Via Láctea Veículos, que três meses depois venceria uma licitação para a venda de 30 automóveis para a frota do Tribunal de Justiça.

Marcelo Souza Barros foi indicado pela presidência do TJ para presidir a comissão especial que iria gerenciar a construção do novo forum. O edital já previa ítens considerados “absurdos”, como a compra de 3 mil toneladas de vigas de aço, mais do do que dobro do necessário, de acordo com parecer do engenheiro-responsável pelo projeto.

Contra a construtora contratada para a construção do prédio, a COGEPE, havia dois pedidos de falência. A empresa tinha 278 títulos protestado no mercado. A situação financeira da empresa era tão débil que o TJ teve que fazer antecipação de pagamentos a fornecedores de material de construção para evitar a paralisação da obra. O mais espantoso é que, diante da impossibilidade de manter uma conta-corrente, a COGEPE foi presentada com uma conta comprtilhada, cujo titular era o próprio Tribunal de Justiça, para receber os pagamentos.

O custo final do forum ultrapassou R$ 57 milhões — mais do que o dobro do valor estimado para uma obra do mesmo porte. Curiosamente, a duas quadras de distância a maçonaria erguia o prédio de sua sede silenciosamente.

Abertas as contas da Casa Maçônica grande Oriente de Mato Grosso, descobriu-se que a obra portentosa era tocada sem custos. “A maçonaria não tinha caixa suficiente para pagar a construção do prédio”, assegurou o desembargador Orlando Perri, que investigou a denúncia. A conclusão óbvia foi a de que o material de construção e os recursos do TJ estavam sendo empregados na obra da maçonaria.

 

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