A polêmica é bem antiga e vem sendo alvo de discussão há mais tempo do que a idade de muitos que hoje buscam uma...

A polêmica é bem antiga e vem sendo alvo de discussão há mais tempo do que a idade de muitos que hoje buscam uma formação profissional. Mas enquanto jornalista, tenho que confessar que nunca imaginei que a profissão que escolhi para abraçar teria o trágico fim desta quarta-feira.

A extinção da obrigatoriedade de diploma para exercer o jornalismo me deixa, no mínimo, insegura. Há pelo menos sete anos, sentei pela primeira vez num banco de faculdade pensando que poderia salvar o mundo. Hoje, paro apenas para lamentar a decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal e pensar no que quero para o meu futuro.

As incertezas são muitas. Num mercado competitivo como este, é desesperador saber que qualquer um agora pode ser chamado de jornalista. E, com todo respeito, se minha classe pode ser comparada à de estudantes de gastronomia e culinaristas, fico tentando imaginar quem serão os novos profissionais da comunicação do país.

E minha tristeza aumenta mais ainda quando penso nas centenas de alunos que tive, nas horas de dedicação para passar a esses jovens um pouco do que aprendi na prática, e nos meus futuros coleguinhas, agora, mais do que nunca, sem perspectivas positivas e sem muitos exemplos a seguir. A vocês, minha solidariedade! Preparem-se para o mercado, uma verdadeira selva em pleno século XXI.

E a medida não mexe apenas com o bolso de nós que dependemos do jornalismo para sobreviver e pagar contas. Instituições de ensino que têm este curso como carro-chefe também podem começar a se preocupar! Enquanto docente, acredito numa grande evasão escolar a partir de agora. E será que podemos prever uma extinção de cadeiras do jornalismo? No novo mundo do “não sei de nada”, acredito que muitos ainda vão chiar.

O meu chiado também incomoda. Imaginem que recentemente me vi forçada a pensar num curso de pós-graduação na minha área, exigência que me manteria num cargo de professora. A ideia sempre foi válida, mas acho que hoje me vejo obrigada a mudar um pouco de foco… talvez seja hora de pensar é num curso diferente do jornalismo. No oba oba da falta de exigências, pago pra ver quem serão nossos mestres e doutores a passar conhecimentos sobre a profissão que se aprimora nas ruas a estudantes, agora desestimulados.

E viva o retrocesso!

 

 

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