Márcio Peixoto, do Blog Oraite nos Steits Márcio era editor e professor universitário em Brasília. Mas decidiu abandonar tudo para viver como marido e dono de casa em  Asheboro,...

Márcio Peixoto, do Blog Oraite nos Steits

Márcio era editor e professor universitário em Brasília. Mas decidiu abandonar tudo para viver como marido e dono de casa em  Asheboro, Carolina do Norte, EUA, onde a mulher dele, Isa, dá aulas e paga as contas da família. Atualmente, embora faça um freela fixo numa loja da Wal-Mart, a função de Márcio é cuidar da casa e da filhinha Marisa. E é sobre essa nova vida de “homem do lar” que ele costuma escrever em seu blog.

 

 

SERÁ QUE ELE É ?…

Neste exato momento Isa, Marisa e o Gato dormem no sofá diante de mim. Não fosse eu baiano, levantaria para pegar a máquina fotográfica e postar a imagem, mas dá uma canseira… E ainda tem o risco de a bateria estar descarregada, o que me faria levantar e dar quatro passos por nada.

Estávamos os três (o Gato dormiu o tempo inteiro) vendo o Brasil jogar contra o Paraguai. Só a saudade mesmo para me fazer ficar pacientemente diante de uma tela vendo um bando de caras correndo atrás de uma bola. Mas até que valeu a perda de templo, afinal, ganhamos e estamos em primeiro nas eliminatórias.

Há aqui no nosso condomínios, mudamos de um prédio para o outro no mesmo complexo, uma pequena comunidade de latinos afixionados por futebol. São todos maridos de professoras que estão aqui pelo VIF, o mesmo programa que trouxe a Isa, e a mim na mala, ou como mala – não sei ao certo. São dois chilenos, um panamenho, um argentino e um colombiano.

Como a Isa mudou para cá nove meses antes de mim, todas esperavam com ansiedade a chegada do ‘brasileiro’. Ao que parece, o Brasil é respeitado no mundo do futebol e todos esperavam a minha vinda. Eu não sei como descrever a decepção do grupo com a minha não paixão por futebol. 

Lembro claramente das expressões deles no nosso primeiro contato. A Isa, pouco antes e muito educadamente, avisou que eu não entendia muito de futebol – o que já é uma licença poética, porque não consigo até hoje entender porque um jogador não pode ficar ao lado do goleiro esperando a bola, é o melhor lugar para fazer o gol. Um chileno, desavisado, comentou com o argentino: ‘o marido da Isa está aqui?’ E eu ouvindo ao fundo. ‘Tá, tá sim, mas ele não gosta de futebol…’ Como assim não gosta de futebol? Ele é ou não é brasileiro?’. 

O que ficou de tudo isso? Isolamento. Os caras se reúnem para ver todos os jogos juntos, um deles tem todos os canais de esportes do planeta na TV a cabo. Pô, eu não sou afixionado por futebol, mas gosto de uma cervejinha de vez em quando e de cochilar no sofá.

Beijos, saudades e uma seleção comandada por um elefante de orelhas gigantes só podia voar longe.

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