Imagine um país que abriga abdutores de crianças, não respeita tratados internacionais, se nega a extraditar bandidos que cometem crimes além de suas fronteiras....

Imagine um país que abriga abdutores de crianças, não respeita tratados internacionais, se nega a extraditar bandidos que cometem crimes além de suas fronteiras. Pois isto é o que se pensa do Brasil aí fora. Imagem construída graças aos estatutos arcaicos, à  justiça renitentemente lenta e corrosivamente injusta em algumas situações. Elementos que formam um porto seguro para brasileiros procurados pela justiça e pela polícia de outros países.

Tente imaginar a maneira como o Brasil é visto pelo David Goldman, pai do menino Sean, abduzido pela mãe e mantido sob a guarda de um padrasto que sequer mora com ele. Pense na agonia do austríaco Sasha Zanger, cuja filha Sophie foi assassinada, aos quatro anos de idade, por uma tia doente antes que ele conseguisse fazer valer o direito à guarda. Pense no conceito horrendo que o país tem na pequena Newton Falls, Ohio, onde a família do herói de guerra Karl Hoerig ainda chora o crime cometido pela brasileira Cláudia Cristina Hoerig, a esposa que o assassinou covardemente com três tiros nas costas e permanece impune, sem sequer responder a um processo, num paraíso próximo a Petrópolis, RJ.

Agora inverta o olhar. Pense no Brasil visto pelos olhos dos avós maternos de Sean Goldman, que o mantêm em um dourado cativeiro doméstico autorizado por chicanas sem fim de advogados astutos. Ou no conforto de Cláudia Hoerig, que pode seguir sua vida sem que um oficial de justiça sequer a moleste pelo assassinato brutal que cometeu. É este o país que é alvo de chacota, ira e indignação no exterior.

A série de reportagens me custou todo o fim-de-semana de trabalho. Em quatro artigos, fica claro o porquê da má reputação. clicando aqui você vai saber como uma quadrilha de brasileiros se estabeleceu na República Dominicana, aplicou um golpe clássico de estelionato, faturou meio milhão de dólares e deixou ao menos 350 pessoas lesadas — e que, apesar de procurada pela INTERPOL, vai tocando a vida sem nenhum constrangimento judicial no estado do Paraná.

Aqui você vai conhecer melhor a carioca Cláudia Cristina Hoerig e o que a levou a cometer o assassinato do piloto Karl Hoerig, com quem havia se casado oito meses antes. E aqui, como uma ex-delegada da Polícia Federal acusada de desviar R$ 300 mil da Superitendência de Roraima conseguiu se livrar da cadeia com um auto-exílio na Alemanha, um dos poucos países ocidentais que, como o Brasil, não permitem a extradição de nacionais.

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