Fernando Lugo. Quando ele foi eleito presidente do Paraguai, eu e meio mundo de imbecis bem-intencionados vibramos bastante. Foi como no dia em que...

Fernando Lugo. Quando ele foi eleito presidente do Paraguai, eu e meio mundo de imbecis bem-intencionados vibramos bastante. Foi como no dia em que Lula chegou à presidência do Brasil. Parecia que todos os defeitos da histórias estavam prestes a ser redimidos. Ledo engano.

Vendo-o hoje acuado diante das perguntas que eu mesmo formulei, pensei com meus botões “quem será esse cara ?”. A figura altiva do homem que iria mitigar as desigualdades sociais, acabar com a roubalheira, reformar o judiciário, banir a corrupção, enterrar definitivamente o cadáver da ditadura Stroessner não passa de mais um títere nas mãos dos mesmos de sempre.

Incapaz de fazer o que se propôs, o ex-bispo hoje é refém de sua tibieza. Sequer consegue uma resposta autêntica para questionamentos triviais feitos por repórteres estrangeiros que nem são tão atrvidos assim.

Perguntei-lhe três coisas na entrevista que se seguiu ao encontro que ele manteve com Lula aqui em Ponta Porã, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai. Primeiro, se ele admitia que houve perseguição política do Estado que ele mesmo governa aos militantes Juan Arrom, Anuncio Martí e Victor Colman, alvos de uma das campanhas mais abjetas de que se tem notícia em tempos recentes. Depois, se ele confirmava que os três foram sequestrados por agentes de segurança paraguaios, fato comprovado de maneira inquestionável por documentos e arquivos de video. E, por último, quis saber por que o governo não prende os narcotraficantes de seu País que, segundo o presidente do Congresso, todos sabem quem são.

Não vou me dar ao trabalho de transcrever aqui as aspas das declarações do presidente do Paraguai. Seria uma perda de tempo para mim e para você, leitor deste texto. Ele não disse nada de importante. Tergiversou, engoliu algumas frases e encerrou o assunto.

É triste constar que um País que se pretende altivo, que ainda está por sublimar suas contradições políticas e institucionais, tem oligarcas capazes de abduzir o caráter de um homem que parecia ser rígido e firme.

Antes de escrever este post, reli alguns artigos que postei aqui no Blog sobre Fernando Lugo. Fazia tempo que não escrevia nada sobre ele. O que vi reforçou minha convicção. Lugo tem sido tão fiel às suas bandeiras e aos seus compromissos políticos quanto foi ao juramento do celibato.

O que fez de sua vida sexual e religiosa é problema dele. Mas o que faz de seus votos políticos afeta toda uma nação.

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