O governo do presidente Fernando Lugo acaba de promover pelo menos um policial que participou diretamente das sessões de tortura aplicadas a dois dos...

O governo do presidente Fernando Lugo acaba de promover pelo menos um policial que participou diretamente das sessões de tortura aplicadas a dois dos três militantes do Movimento Pátria Livre que foram acolhidos como refugiados políticos no Brasil. O comissário Saturnino Antônio Gamarra foi um dos 74 oficiais promovidos recentemente. Ela é o dono de uma das casas utilizadas como cativeiro no sequestro de Juan Arrom e Anuncio Marti (veja foto ao lado).

A casa fica num bairro da periferia de Assunção, capital do Paraguai. Foi o segundo local utilizado como cárcere privado durante os 14 dias em Arrom e Marti permaneceram desaparecidos. Eles foram sequestrados por policiais à paisana na Calle Lugano, no centro da capital, em frente à casa onde funcionava um aparelho clandestino da Policia Judiciária.

Os vizinhos do imóvel de Gamarra confirmam que o comissário costuma frequentar a casa, uma construção simples instalada em um terreno de aproximadamente 500 metros quadrados de área construída. “A casa era do Gamarra”, disse um vizinho ao Blog. Segundo a testemunha, o próprio comissário avisou aos moradores da quadra que “um amigo iria fazer uma operação (policial)”.

jornal_gamarraO Comissário Gamarra agora é o responsável pelas investigações da Polícia Judiciária na região central do Paraguai. É o segundo cargo mais importante na hierarquia da corporação. As acusações feitas contra ele pelas duas vítimas do sequestro e das sevícias não rendundaram em nada. O torturador Gamarra hoje é um dos homens mais importantes da polícia paraguaia.

A notícia da promoção do comissário foi publicada na edição de Primeiro de maio do jornal La Nacion (veja fac-símile ao lado). Mas a imprensa paraguaia não tece nenhuma consideração sobre o passado nebuloso do comissário-torturador.

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