O mineiro Lino Ramos estudou 1.500 horas para se tornar chef de cozinha de restaurantes famosos como os da  Cachaçaria Alambique, Grampian Delicatessen, La Cave de Vitória (ES),...

O mineiro Lino Ramos estudou 1.500 horas para se tornar chef de cozinha de restaurantes famosos como os da  Cachaçaria Alambique, Grampian Delicatessen, La Cave de Vitória (ES),  Pousada Uaibrasil de Cumuruxatiba (BA) e do Hotel Boulevard (BH). Mas ele se cansou das panelas e decidiu cursar… Jornalismo. Está matriculado no primeiro semestre do curso de Comunicação Social da Faculdade Estácio de Sá, em Belo Horizonte. Seu horizonte profissional agora se abre para outras perspectivas e o objetivo é fazer uma coluna sobre gastronomia para um grande jornal.

A pedido do Blog, aproveitando a deixa dos ministros do Supremo, ele nos ajudou a entender o que há em comum entre a cozinha de uma redação e a de um restaurante.

Por que você resolveu fazer jornalismo, se já era chefe de cozinha ?

É preciso que se faça uma distinção entre o profissional da cozinha, o cozinheiro, com a do chef. Sou cozinheiro porque gosto de comer bem e adoro a idéia das pessoas gostarem de comer o que produzo. Já exerci a função de chef por diversas vezes, mas assim como não existe a formação específica para chefe de redação, o mesmo ocorre na gastronomia. Um dia se é chefe, no outro jornalista como outro qualquer. Faço jornalismo porque quero mostrar o mundo da culinária de uma forma mais real, por alguém do meio. E também porque adoro notícias, sou um consumidor de jornal, meu MP3 fica ligado o dia inteiro em rádios de notícias. Mesmo na TV, em casa eu raramente assisto programas de mero entretenimento.

Há alguma coisa e, comum nas duas profissões?

Claro que há. Mesmo estando no início do curso de jornalismo, já percebo que a ralação é a mesma nas duas áreas. Assim como se trabalha de sol a sol nas redações para fechar um jornal ou cobrir uma pauta, o mesmo ocorre na cozinha. Não existe feriado ou dia santo. Lembro que na virada de 1999 para 2000, minha equipe e eu cozinhamos até as 4 horas da madrugada para 1800 pessoas, numa jornada que havia começado às 11 horas da manhã. O glamour mostrado por revistas como Caras e Gulas não é real. Cozinheiro é moldado no dia a dia, feito soldado.

O que você achou da comparação, feita pelo ministro do STF, entre jornalistas e chefs de cozinha?

Infeliz, bem infeliz. E estou sendo comedido nas palavras. Ele mostrou que não dá a mínima para o que entra em sua boca. Para ele, tanto faz entregar a direção de um buffet a uma pessoa que não sabe diferenciar foie gras de fígado bovino. Os tempos são outros e o senhor Ministro não acordou pra isso. Antigamente as cozinhas se moviam em torno do forno e do fogão à lenha. Hoje temos uma infinidade de equipamentos tecnológicos que uma dona de casa comum não conseguirá operá-los. Um cozinheiro que se preza, que deseja oferecer seus bons serviços, deve buscar instrumentalizar-se, submeter sua vocação a uma formação técnica que lhe permita apurar seu faro, aumentar seu conhecimento sobre a temática e assim se apresentar ao mercado como alguém apto e útil. E isso não vem por acaso, é preciso buscar na fonte.

Voltando um pouco à comparação, o melhor exemplo que posso dar é o da minha mãe. Ela faz o melhor frango com quiabo do mundo. Mas mandem a velhinha cobrir a Copa de 2014… ela mal sabe escrever seu próprio nome! Mas é capaz de cozinhar para um batalhão de jornalistas.

De qualquer forma, ainda que a não obrigatoriedade do diploma permaneça, irei me formar.

“Cozinhar”, no jargão jornalístico, significa requentar notícia velha. Na cozinha de um restaurante também se requenta comida velha?

Em uma cozinha séria, dificilmente há sobras de comida. O objetivo, na elaboração dos cardápios, é evitar que isso aconteça. Mas um bom mexidão cai bem a qualquer hora, não acha? (risos)

O que deu mais trabalho: o curso do SENAC ou a Faculdade de Comunicação?

O curso do Senac, sem dúvidas. Mas o curso de comunicação ainda está no início. Sinto que vem pedreira por aí, tão grande quanto os panelões que tínhamos que lavar umas dez vezes por dia.

Onde se ganha mais, na cozinha do jornalismo ou na de um restaurante?

É relativo. O salário de um cozinheiro varia conforme o tamanho da empresa. Além disso, infelizmente, não existe uma regulamentação, um piso, valor certo de horas-extras… Aqui em BH, é possível contar nos dedos os cozinheiros que recebem R$ 2 mil no contra-cheque. Imagino que o jornalismo pague melhor de uma forma geral, pois se trata de uma categoria mais esclarecida e com um sindicato mais atuante.

Você acha que todo jornalista tem predicados para se tornar um bom cozinheiro?

Claro que não. Assim como não tem outros profissionais, como advogados, médicos, engenheiros, arquitetos… Já vi muitos de categorias como essas que se metem a cozinheiros apenas por gostar de cozinhar para os amigos nos finais de semana e vêem seu investimento ir por água abaixo por achar que a coisa é fácil. É preciso estudar com afinco, aprender as técnicas, os diferentes modos de cocção, os cortes diferenciados de carnes e legumes. Cozinhar é uma coisa séria. Uma comida mal manipulada pode levar à morte.

E todo cozinheiro pode virar jornalista?

Não acredito muito no empirismo, mas sei que ele existe. Sou apenas um cozinheiro que está em busca de uma formação acadêmica. Com dedicação, mantendo-me atualizado, poderei vir a ser um bom jornalista. Mas isso é algo que somente o mercado poderá dizer.

Explique pra mim: não é meio redundante você, já sendo chef de cozinha, querer virar jornalista?

Não existe redundância alguma. Já tendo o curso de formação em cozinheiro, qual o mal em desejar me graduar para outra profissão? Ou o arquiteto que gostaria de ser também jornalista e resolva estudar? O importante é o conhecimento. Creio na academia muito mais como ferramenta do que como um canudo pendurado em uma parede.

Mirando os escândalos da Itatiaia: você acha que os jornalistas da emissora envolvidos com empregos de araque estão à altura da deliciosa comida mineira?

Nossa culinária é a representação maior da cozinha brasileira. A cozinha mineira prima pela simplicidade e variedade de ingredientes de várias regiões de nosso Estado, mas o produto final é sempre algo de gosto refinado. Não por acaso os grandes cozinheiros internacionais que por aqui pisam são unânimes em afirmar que em Minas se faz um pouco da cozinha de cada ponto da Europa. Quanto à rádio em questão, não a conheço suficientemente para analisar seus profissionais. Tenho acompanhado as denúncias que você tem feito em seu blog com interesse, até para conhecer um pouco mais sobre o mercado que pretendo entrar. Mas só sintonizo a Itatiaia em busca de informações sobre o meu Glorioso Clube Atlético Mineiro, o Galo das Alterosas.

Comentários

  • Alexandra

    15/05/2011 #1 Author

    AAAAAmmoooooooooooo comida, adoro cozinhar, tanto pratos simples como pratos gourmets, tenho certeza que seria uma ótima chef, por paixão e pelo talento natural…mas comecei o curso de jornalismo agora tb ( 1º semestre de 2010) , é ótimo, cansativo, pois temos que ser sempre intelequituais, cultos e na maioria das vezes muito sério, qualidades que ñ tenho em mim, pois adora ser ciativa…estava querendo trocar meu curso para gastronomia… estou realmente muito perdida nisso, mas tu me deu uma ótima idéia. Posso começar no jornalismo, e um dia conseguir abrir meu próprio restaurante, trabalhar como chef nele e ainda trabalhar com jornalismo…afinal vou poder fazer meu próprio horário…e tentar ñ trabahar até de madrugada que nem tu…Muito Obrigada, não sei se tu lê os comentários, mas se lê gostaria muito que entrasse em contato comigo. Meu nome é Alexandra, e meu e-mail é xandach@hotmail.com. Abraço

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