O senador José Sarney (PMDB-AP) já havia decidido se afastar da presidência do Senado no começo da tarde desta terça-feira. Apesar do desmentido da...

O senador José Sarney (PMDB-AP) já havia decidido se afastar da presidência do Senado no começo da tarde desta terça-feira. Apesar do desmentido da assessoria parlamentar, ele esteve reunido com os filhos para discutir o assunto. “O clima era de renúncia”, conta um dos senadores que estiveram na casa de Sarney.

Dois fatores podem ter mudado a decisão quando ela já parecia consolidada. O primeiro foi uma reunião presidida pela ministra Dilma para enquadrar os senadores petistas, que estão constrangidos com a ordem de apoiar incondicionalmente a permanência de Sarney. Alguns desses senadores não veem sentido, uma vez que o desfecho parece inevitável.

O segundo foi uma ideia que nasceu durante a reunião da bancada do PSDB no começo da tarde. Os tucanos resolveram propor uma saída honrosa para evitar mais desgaste. Sarney se afastaria da presidência e uma comissão de “notáveis” seria criada para administrar a crise. A comissão seria integrada por parlamentares dos principais partidos: Tasso Jereissati pelo PSDB, Aloísio Mercadante pelo PT, Eliseu Resende pelo DEM e Garibaldi Alves Filho pelo PMDB.

O passo seguinte foi designar três senadores para apresentar a “sugestão” ao presidente do Senado. Foram destacados para a missão Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB, a primeira-vice Marisa Serrano (MS) e Alvaro Dias (PR). Os dois primeiros foram escohidos porque são dirigentes partidários. Alvaro Dias foi incluído por causa da CPI da PETROBRAS, um dos complicadores do processo, da qual foi o criador. A bancada tucana combinou de manter todos os passos longe das páginas dos jornais.

Quando chegaram à mansão de Sarney encontraram o ambiente muito tenso e carregado. Sarney já teria consolidado a decisão de sair. E gostou do que lhe foi apresentado. Ao final, foi a governadora Roseana Sarney quem mais parecia aliviada. “Assim acho que vai dar para reverter a situação”, disse ela aos peessedebistas, no que foi entendido como uma alusão à possibilidade de uma renúncia.

Assim que voltaram ao Senado, os tucanos protagonizaram uma situação controvertida. O líder Arthur Virgílio (PSDB-AM) subiu à tribuna e quebrou o sigilo sobre a empreitada. Contou tudo o que os tucanos não queriam que transpirasse. Marconi Perillo (PSDB-GO), que havia participado da reunião, bateu boca com Sérgio Guerra. “Ele foi mau caráter. Participou de toda a conversa e sabia do que foi decidido”, disse um dos senadores tucanos.

Perillo, que nos bastidores já assegura que será “aceito” pelo Planalto, reagiu mal à revelação da ideia da tal “comissão de notáveis”. Mas, formalmente, tinha uma boa dose de razão para confrontar os colegas de partido. No cerne da questão está a desconfiança de que a Mesa Diretora, da qual Perillo é vice-presidente, não teria condição política para conduzir a saída da crise. Mas os colegas de bancada acham que o senador goiano está preocupado mesmo é com o eventual encurtamento de sua interinidade na presidência caso Sarney se licencie, renuncie ou seja impedido de continuar.

O fato a notar é que todos no Senado — literalmente todos, inclusive a tropa de choque do PMDB e a família Sarney — consideram dificílima a situação do atual presidente. As apostas são no sentido de que ele não vai resistir por muito tempo. Ao contrário de Renan Calheiros, que tinha apenas uma posição a defender, Sarney tem uma biografia que lhe é cara.

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