Os parlamentares petistas, que até ontem indicavam que iriam engrossar o coro dos partidos que clamam pela saída de Sarney da presidência do Senado,...

Os parlamentares petistas, que até ontem indicavam que iriam engrossar o coro dos partidos que clamam pela saída de Sarney da presidência do Senado, mudaram de discurso nesta tarde.

Depois de reunião, intermediada pelo presidente nacional do partido Ricardo Berzoni, a legenda reconheceu uma parcela de erro na crise que assola o Senado e, segundo o líder Aloizio Mercadante, “não se sentiu confortável para exigir o afastamento” de Sarney.

A partir do encontro de hoje, a bancada petista decidiu que vai solicitar uma audiência com o presidente Lula para definir os próximos passos de contenção do problema que tira o sono de políticos e brasileiros há mais de quatro meses.

A conversa pode ser agendada para as próximas horas, possivelmente amanhã. Isso porque o presidente só volta de viagem da Líbia na noite de hoje.

Quem também vai se encontrar com Lula é o presidente do Senado, José Sarney. A partir daí, ele deve definir se fica ou não no cargo que tem trazido inúmeras dores de cabeça ao político.

E essas reuniões têm se tornado frequentes. Segundo o líder do PT, Aloizio Mercadante, o tão esperado encontro de hoje com o presidente da Casa foi considerado positivo. A bancada fez duas sugestões: a de afastamento de Sarney por um período de 30 dias e a de criação de uma comissão “capaz de pensar o futuro do Senado através de uma reforma administrativa” e de uma espécie de “colégio de líderes” para cuidar da vida dos parlamentares, a exemplo do que já existe na Câmara dos Deputados.

A primeira sugestão do PT foi descartada por Sarney que, de acordo com Mercadante, “não demonstrou disposição para isso”. Mas o parlamentar “se mostrou aberto a construir uma solução conjunta com outros partidos”, reiterou. “Queremos com isso continuar um diálogo com a mesa e buscar construir consenso. É preciso uma convergência suprapartidária”.

Mercadante partiu em defesa do presidente Sarney, afirmando que o Brasil não pode simplesmente depositar a responsabilidade pela crise exclusivamente no gestor da Casa. “Precisamos mudar atitudes. Não é mudando uma pessoa que vamos resolver os problemas de 14 anos de vícios”, apontou. E atacou o partido Democratas, que ocupa a secretaria do Senado, e que estaria tendo uma postura diferente diante da crise.

Maior interessado na resolução de todos os problemas que o envolvem, o presidente Sarney voltou a sair de fininho, mas desta vez, falou com a imprensa: “Não vou falar nada”. Já é um começo…

Pode ser o começo do fim.

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