Depois de duas horas de reunião com o presidente do Senado, José Sarney, a bancada do PT aparentemente mudou o discurso. Mas não se...

Depois de duas horas de reunião com o presidente do Senado, José Sarney, a bancada do PT aparentemente mudou o discurso. Mas não se engane. Esse pode ser apenas um efeito de paralaxe do mundo da política, onde nada é exatamente o que parece. Ao sair da mansão de Sarney, todos estavam convencidos de que a decisão de renunciar é irrevogável.

Alguns senadores tentaram ainda convencer o presidente do Senado a aceitar a hipótese do afastamento temporário. “Essa não é a saída”, retrucou Sarney. “Eu tenho um compromisso com o presidente Lula e outro com o país”, disse aos petistas. As duas hipóteses que restam são a permanência ou a renúncia. A ponderação, do próprio Sarney, seria a seguir apresentada publicamente como um novo posicionamento do PT. Se o próprio presidente peremptoriamente afasta a possibilidade da licença, como o partido ainda iria defendê-la?

Quando a reunião terminou, Mercadante deu declarações aos jornalistas que confrontavam posições que ele mesmo havia manifestado ao longo das últimas horas em conversas com outros políticos e assessores. ” Não há essa possibilidade. Ela (a idéia do afastamento temporário)  foi reapresentado hoje por alguns senadores e o presidente Sarney pode reavaliar. Mas eu, particularmente, não acredito que isso possa prosperar”, disse ele . “Nenhum dos partidos da casa propôs a renúncia e nós não trabalhamos com essa hipótese”.

Alguns entenderam as declarações como um recuo.  Mas elas podem ser apenas um recuo aparente. Diante da convicção de que não há mais alternativa à renúncia, os senadores do PT decidiram poupar Sarney de mais desgastes até que ele defina os termos da renúncia com o presidente Lula, que antecipou a chegada ao Brasil.

A posição da bancada só vai ser definida depois que os senadores conversarem com o presidente. A reunião está agendada para a manhã desta quinta-feira. Se quiser retroceder, Sarney ainda tem um caminho: aceitar a implementação das “reformas administrativas” que uma comissão tocaria em seu nome. Na prática, isso eliminaria o resíduo de poder que ele ainda tem para governar uma Casa conflagrada pela maior crise moral de sua história.

De acordo com os que o avistaram na noite desta quarta-feira, isso parece extremamente improvável.

 

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