A bancada do PT no Senado está reunida neste momento na sala da liderança. É a quarta vez que isso acontece esta semana sem...

A bancada do PT no Senado está reunida neste momento na sala da liderança. É a quarta vez que isso acontece esta semana sem que o partido tenha a menor perspectiva de encontrar uma saída para o impasse criado com o acirramento da crise.

Pelo menos sete dos 12 senadores são favoráveis à saída de Sarney da presidência. O elemento complicador é que o próprio Sarney antecipou que não cogita a hipótese de se licenciar. Isso põe no horizonte imediato a iminência de um novo processo de eleição que pode arrebentar a base do governo no Senado, onde a situação do bloco da maioria não é nada confortável.

O recuo da noite passada repercutiu mal na imprensa, e isso está sendo considerado. O desconforto é enorme. O PT se vê obrigado por Lula a defender um político que foi eleito contra a vontade do partido, numa articulação do Planalto com o PMDB, e que chegou onde chegou graças aos maus hábitos arraigados de uma cultura coronelista e patrimonialista.

Mercadante não tem nenhum argumeto para dizer que quer que Sarney fique. Pode, no máximo, falar que o problema não é só dele, lembrar que o DEM estava esse tempo todo  à frente da Primeira Secretaria, que tem a chave do cofre. Mas isso também não resolve o problema concreto: Sarney tem contra si a maior parte dos senadores — não só da bancada do PT, mas do conjunto do parlamento. Acabou. Sua saída é só uma questão de tempo. O Partido dos Trabalhadores pode, no máximo, não firmar uma posição pelo afastamento temporário. Mas daí a pedir que ele fique vai uma longa distância.

E quanto a Mercadante, que teve que se expor numa condição que contraria o que pensa e tem defendido? Não é difícil entender o que se passa pela cabeça do líder do PT. Acuado pelo Planalto, pressionado pela maioria da bancada e por suas próprias convicções, que são claras, teme ser responsabilizado pela implosão da base de Lula no Senado. Ele já foi enquandrado uma vez no mês passado a pedido de Renan Calheiros. A última coisa que quer é precipitar um processo que termine com comando da pauta do Senado nas mãos da oposição.

A novela não deve acabar tão cedo. Ainda há uma reunião pré-agendada entre a bancada e o presidente Lula, que deve acontecer hoje à noite. Lula é o político mais pragmático do país. Não se importa nada com questões morais. Desde que seu projeto eleitoral não saia arranhado — ou que o PMDB não se afaste completamente da candidatura de Dilma Roussef — está tudo certo.

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