A bancada do PT no Senado reafirmou ao presidente Lula que a solução para a crise política é o afastamento temporário do senador José...

A bancada do PT no Senado reafirmou ao presidente Lula que a solução para a crise política é o afastamento temporário do senador José Sarney da presidência do Senado. Foi o que disse agora há pouco o líder da bancada, Aloizio Mercadante, em entrevista coletiva.

Mercadante admitiu que os senadores estão muito constrangidos com a situação em que se encontram. Todos eles falaram abertamente ao presidente sobre o mal-estar criado pela impossibilidade de institucionalizar uma decisão que, individualmente, já foi tomada por cada um dos 12 parlamentares da bancada. O líder afirmou que a melhor saída seria um “gesto de grandeza” de Sarney — ou seja, seu afastamento voluntário.

Lula ouviu os argumentos. Mas voltou a defender a permanência de Sarney, temendo que ele não volte ao final de um período de licença. Mas, de acordo com Mercadante, não enquadrou a bancada nem desautorizou manifestações individuais dos senadores.

O fato a anotar é que Sarney não tem, nem terá, o apoio dos colegas petistas para continuar à frente do Senado. Não recomendar institucionalmente a saída é muito diferente do que se esperava no início da semana — que o PT desse apoio explícito à continuidade do político maranhense. A bancada voltará a se reunir na terça-feira para analisar os fatos que surgirem no fim-de-semana. Eles voltam para seus estados impactados pela reportagem do Estadão que denunciou que Sarney escondeu sua mansão da justiça eleitoral (leia aqui).

O que os senadores não dizem é que a renúncia seria muito mais conveniente para todos do que uma licença. Embora ela coloque na agenda a necessidade e os riscos da eleição de um novo presidente, também atalha o período de interinidade do senador Marconi Perillo, que o governo não engole. Caso Sarney se licencie, Perillo assume a presidência do Senado por tempo indeterminado. Se renunciar, em cinco dias deve ser realizada uma nova eleição.

Mas até agora ninguém falou em renúncia. Nem o DEM, nem o PSDB. É o próximo degrau. A palavra, que tem sido utilizada apenas em conversas reservadas, pode dar o tom das discussões públicas na próxima semana. A língua de alguns senadores está coçando.

Comentários


Sem comentários ainda.

Comente!

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *