Diante da solidão e dos infortúnios que assolam o ocaso do senador José Sarney, o blog está lançando a campanha do #ficasarney. É uma campanha...

Diante da solidão e dos infortúnios que assolam o ocaso do senador José Sarney, o blog está lançando a campanha do #ficasarney. É uma campanha que tem como inspiração o “Não me Deixem Só” de Fernando Collor de Mello, o queremismo getulista, a renúncia de Jânio e o “Cunhado Não é Parente”, invenção do finado brizolismo mas agora mirando o direito dos parentes a uma sinecura de boa prebenda). Está fundamentada em sólidos princípios éticos e morais, mas tem como mote defender a governabilidade, como se verá.

A imprensa tem noticiado fartamente alguns pequenos problemas na contabilidade, nas práticas políticas, nas nomeações de servidores, na maneira como elas ocorrem.

É pura implicância. José Sarney não pode mesmo saber de tudo o que se passa ao seu redor. Como pode um avô saber que seu próprio neto trabalha no gabinete ao lado se a nomeação do garoto foi secreta? E como poderia ele saber que a mãe do neto ficou na vaga do menino quando a norma antinepotismo passou a vigorar se o ato que a nomeou não foi sequer divulgado ?

Pela mesma razão, todos os atos secretos assinados por Agaciel, Zoghbi e outros tantos não chegaram ao conhecimento do biografável presidente. Responda: como ele poderia saber de atos secretos, uma vez que eram secretos?

E não culpem Agaciel Maia por tudo isso. É uma pessoa muito boa, caridosa, que faz tudo para ajudar os amigos. Prova disso é que ele ajudou a terça parte do Senado. Gente que realmente estava em dificuldade, que precisava dos serviços desse exemplar e valoroso servidor. Não por acaso mereceu a confiança irrestrita de Sarney. Foi nomeado, renomeado e re-renomeado ao longo de 14 anos de bons serviços prestados a Zé Sarney.

A imprensa — e eu sou jornalista, portanto posso dar meu testemunho pessoal — está de mau humor com Sarney porque ele mandou tirar os sofás da porta da entrada da presidência, obrigando os setoristas a permanecer em pé horas e horas. E também porque mandou construir um curralzinho para separar a selvageria dos repórteres do caminho dos senadores. Uma mesquinharia. Dos repórteres.

Essa malta candanga se esquece que, no Maranhão, Sarney é dono de um império de comunicação e compreende perfeitamente a difícil vida dos profissionais que contrata. Gente pobre, mas limpinha, que se derrete em elogios ao patrão nas páginas de seus próprios jornais.

Aponte uma só edição de qualquer um dos múltiplos jornais, telejornais e radiojornais do Grupo Mirante que tenha feito uma crítica sequer ao patriarca do clã dos Sarney. Quem o conhece intimamente sabe o homem maravilhoso que ele é.

Vamos falar francamente. Tem o problema do outro neto. O dos empréstimos e seguros. Qualquer idiota sabe que o pessoal do Senado ganha mal, vive precisando pendurar um papagaio. Nesse sentido, deixar o neto tocar um negocinho pequeno, dar uma forcinha, pode ser considerado até uma obra social de valor inestimável. E são só uns cinco milhões de faturamento, coisa que não incomoda ninguém. Fique sabendo que cinco milhões não fazem diferença para a família Sarney. Eles têm muito, muuuuuuuito dinheiro. Não precisam passar por tanto constrangimento por uma bobagem dessa.

Se cinco milhões não são dinheiro, quatro são menos ainda. Foi por causa desse despojamento que ele se esqueceu de declarar a mansão de Brasília à justiça eleitoral. Ele não é materialista, mesquinho. Esses valores não têm nenhum significado para ele.

Foi esquecimento. Ponho minha mão no fogo como foi. Fala sério: você acha que o Sarney iria deixar de declarar a casa se isso fosse realmente importante? Ele já disse: embora a mansão tenha sido paga há muito, muito tempo, o nome do proprietário era o banco onde havia hipotecado o imóvel. Coitado! Pagou em prestações.

E tem também todo esse excesso de burocracia do TSE. Para que ficar declarando toda eleição o patrimônio modesto que ele amealhou trabalhando duro na política? Foi por isso que ele disse que teve que repetir a declaração dos bens de uma eleição na outra. Depois — ele anda com a memória meio fraca, é verdade, mas também quem não fica no meio de um tiroteio desse? — se lembrou que não se esqueceu. Quem esqueceu foi o contador, e não ele. Ele havia se esquecido do contador, e não da casa. E foi o contador que esqueceu de declarar a casa. E como não foi ele quem esqueceu, como ele iria lembrar que as duas declarações não eram iguais?

Gente, vamos aderir ao #ficasarney. Até agora somos só eu, o Lula, o Renan, o Gim Argello e o Welington Salgado. Mas pode ser que na semana que vem a bancada do PT também nos prestigie. Apesar da má influência desse Mercadante invejoso e desobediente, que não respeita mais nem ordem do Lula. Pode?

Por isso tudo nasceu o #ficasarney.

Fica, Sarney. Mas se a coisa continuar apertando, #ficaemcasasarney!

Comentários


Sem comentários ainda.

Comente!

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *