Incomodados com a pressão do Planalto para que apoiem José Sarney (PMDB-AP), com o arrocho dos eleitores para que não apoiem e com os dogmas...

Incomodados com a pressão do Planalto para que apoiem José Sarney (PMDB-AP), com o arrocho dos eleitores para que não apoiem e com os dogmas morais que alguns ainda trazem do tempo da militância, os doze senadores do PT podem decidir hoje se permanecem em cima do muro e para que lado devem descer.

Aliados do senador José Sarney contam certo com a obediência dos petistas às ordens de Lula, que já prometeu ao atual presidente do Senado o apoio da bancada.

Numa tarde de muita especulação e pouca presença em plenário, assessores de Renan Calheiros (PMBF-AL) davam como certa a adesão do partido de Lula ao bloco do #ficasarney, o que parece, até o momento, improvável. Além de uma contundente entrevista de Tião Viana (PT-AC) atribuindo ao próprio Lula responsabilidade pela crise moral que assola o Senado no fim-de-semana, nesta segunda Eduardo Suplicy subiu à tribuna para reiterar seu apoio ao #xosarney.

“O problema é de dois ou três ongueiros e do senador do telefone”, disse um influente amigo de Renan Calheiros ao Blog no começo da noite. “O que importa agora é a composição do Conselho de Ética”, assinalou. Era uma referência aos senadores Tião Viana e Marina Silva, que juntamente com Suplicy comporiam o “pequeno coro das carpideiras do PT”.

O “pequeno coro das carpiderias” também conta com as lágrimas de Aloizio Mercadante (PT-SP), talvez o mais aflito dos senadores petistas neste momento. Ele chegou a colocar a liderança à disposição caso o PT não conseguisse fazer prevalecer a opinião da maioria da bancada, majoritariamente favorável ao afastamento de Sarney. Neste fim-de-semana, Mercadante submergiu. Foi viajar com a família e permaneceu longe dos holofotes.

Suplicy ainda tentou dizer aos jornalistas que tinha entendido como positiva a posição assumida pelo presidente Lula na madrugada da última sexta-feira, que será objeto de avaliação da bancada nesta terça. Ou ele não entendeu ou foi Lula quem não o compreendeu. Horas depois da última reunião com os senadores do PT, o presidente afiançou o apoio do partido à permanência de Sarney.

Não se sabe se José Sarney vai se arriscar a presidir as sessões deliberativas. A oposição já prepara uma extensa fila de oradores para lhe causar o maior contragimento possível. Se comparecer ao plenário, Sarney terá que ouvir reiterados apelos da turma do #xosarney para que vá para casa e aguarde o fim das investigações.

Até a semana passada ele dizia ainda prezar sua biografia. Será a oportunidade de demonstrar se prefere vê-la rasgada página por página, ou se vai defender a dignidade recolhido à merecida condição de senador comum.

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