Ana Maria Campos Na corrida pelo controle de um orçamento anual de R$ 25 bilhões vale tudo. No segundo turno das eleições no Distrito...

Ana Maria Campos

Na corrida pelo controle de um orçamento anual de R$ 25 bilhões vale tudo. No segundo turno das eleições no Distrito Federal, o ambiente é de conspiração. As duas campanhas trocam acusações de jogo sujo, espionagem e montagem de dossiês falsos para atingir a imagem dos candidatos. Na última quinta-feira, Agnelo Queiroz esteve no Ministério da Justiça para pedir a entrada da Polícia Federal (PF) nas investigações sobre uma gravação em que testemunha da Operação Shaolin aparece recebendo proposta de dinheiro para prejudicar o petista. Na representação entregue ao ministro Luiz Paulo Barreto, Agnelo aponta indícios de que a manobra partiu de seus adversários.

Barreto considerou o episódio gravíssimo e vai tratá-lo como uma investigação de crime eleitoral em que os envolvidos podem ser presos em flagrante, caso haja novos indícios de fabricação de provas falsas. Conforme revelou reportagem do Correio, publicada na última quarta-feira (veja fac-símile), o contador Miguel Santos Souza, preso e denunciado pela suposta participação na confecção de notas frias para justificar serviços não prestados ao Programa Segundo Tempo do Ministério do Esporte, gravou uma conversa comprometedora com o advogado Clauber Madureira Guedes da Silva. No diálogo, Clauber oferece R$ 200 mil para que Miguel testemunhasse que vira Agnelo recebendo dinheiro ilícito, desviado do ministério.

As circunstâncias em que essa oferta ocorreu ainda são uma incógnita e estão sob investigação na Divisão Especial de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública (Decap), da Polícia Civil do DF. Durante a negociação, ocorrida na casa de Miguel, no Lago Norte, em 13 de setembro, Clauber disse que o acordo incluía um cargo no eventual governo Roriz e o dinheiro seria entregue pela coordenação da campanha do ex-governador. Como o inquérito é sigiloso, o delegado Flamarion Vidal Araújo, responsável pelo caso, não dá detalhes sobre o assunto. Policiais, no entanto, contam que há outra testemunha de tentativa de envolvimento de Agnelo nos esquemas denunciados do Ministério do Esporte.

Advogado de Joaquim Roriz, José Milton Ferreira afirma que vai entrar amanhã com uma queixa-crime contra o petista e o coordenador de Comunicação da campanha de Agnelo, Luís Costa Pinto. O jornalista associou a gravação ao rorizismo e a considerou uma manobra “abjeta”. Para Ferreira, a representação de Agnelo no Ministério da Justiça corresponde a um crime de denunciação caluniosa que também será alvo de representação no Ministério Público. “Será apenas mais um embate judicial”, disse Costa Pinto.

Um grupo experiente em investigações de bastidores está em campo desde a semana passada para tentar reverter o estrago causado na campanha de Weslian Roriz (PSC) pela revelação da tentativa de compra de testemunha da Operação Shaolin. A meta é encontrar conexões dos envolvidos no caso com o partido de Agnelo. “Vai ser um tiro no pé”, garante um dos integrantes da tropa de choque.

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