Lilian Tahan 10h59 de domingo, duas semanas antes do segundo turno das eleições. Toca o telefone de Alberto Fraga (DEM), o ex-braço direito de...

Lilian Tahan

10h59 de domingo, duas semanas antes do segundo turno das eleições. Toca o telefone de Alberto Fraga (DEM), o ex-braço direito de José Roberto Arruda que tentou voo solo no primeiro turno, não obteve o apoio do partido, enquadrou-se, disputou e perdeu vaga para o Senado na chapa de Roriz. “Oi, Fraga, é o Rogério (Rosso), tudo bom”, cumprimentou o governador, aquele que está no cargo desde abril, eleito indiretamente, que também tentou se candidatar ao governo, levou um chega pra lá do PMDB e juntou-se a Roriz. “Tudo bem, o que você manda?”, perguntou Fraga. “É só uma sondagem, por enquanto. Mas o que você me diria de substituir dona Weslian na campanha?”, disse Rosso.

E o que era “apenas uma sondagem” vazou e mobilizou as duas campanhas em torno do que, ao longo do dia, evoluiu para a especulação. Seria possível, nesta altura do campeonato, a substituição de candidatos? Sem ter certeza sobre o convite e a viabilidade legal da troca, Fraga se colocou a postos: “Sou um soldado da coligação, faço de um tudo para evitar que a corja do PT ganhe essa eleição. Topo ser o candidato desde que o convite seja formal”.

Até o fechamento da edição desta segunda-feira (18/10) do Correio, nada de oficializações. O que não quer dizer que a hipótese não possa se tornar um fato. A substituição de Joaquim Roriz por dona Weslian foi mantida em segredo até a última hora. Ela foi o plano B da coligação, que ontem deu sinais de que pode avançar no alfabeto e recorrer a mais uma opção. Em situação de desvantagem para o petista Agnelo Queiroz, que hoje ganharia as eleições com folga de 20 pontos, segundo indicam as pesquisas, integrantes do grupo de Roriz pensam em alternativas.

O telefonema de Rosso para Fraga ocorreu no fim da manhã. No início da tarde, a informação já circulava entre integrantes do PMDB – partido que tem um pé (o de Tadeu Filippelli) na coligação de Agnelo e o outro (de Rosso) na campanha de Weslian Roriz. Ao saber que a conversa havia vazado, Rosso fez novo contato com Fraga: “Você comentou com alguém a história da troca?”.

Tuitadas
Aí, já era tarde. A hipótese de tirar Weslian e colocar Fraga já estava na boca do povo que frequenta a rede social Twitter. “Como assim, substituir?”, espantou-se o consultor-geral do Senado Bruno Dantas. “E pode?”, perguntava Ralph Waldo Rangel de Goiânia. Dilma Almeida arriscou palpite: “Isso é método conhecido como tentativa e erro, só não conhecia ainda sua aplicação na política”. “Não é só em caso de morte?”, questionou Rubens Silveira.

Tantas perguntas alimentaram o debate jurídico que prosperou na rede social, enquanto os coordenadores do grupo de Roriz ainda tentavam entender a tal conversa sobre troca dos candidatos. O internauta Celso Ferreira citou o artigo 77, parágrafo 4 da Constituição Federal, que regula as hipóteses de substituição: “Confira o que diz o dispositivo: Se antes de realizado o segundo turno, ocorrer morte, desistência ou impedimento legal de candidato, convocar-se-á, dentre os remanescentes, o de maior votação”. Bruno Dantas prosseguiu, lembrando a Consulta nº 14.340/1994 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que, segundo alertou, abre precedentes para a eventual mudança.

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