Não costumo falar aqui das reportagens que faço na TV Bandeirantes para não confundir os dois espaços — a TV e o Blog. Mas...

Não costumo falar aqui das reportagens que faço na TV Bandeirantes para não confundir os dois espaços — a TV e o Blog. Mas vou abrir uma exceção hoje.

Estive em Varginha , no Sul de Minas, para fazer a suite de uma reportagem publicada pela revista Isto É sobre o tal ET de Varginha. A matéria coloca um fim às especulações quase religiosas sobre a “visita” de um ET que teria sido avistado por três garotas adolescentes no dia 20 de janeiro de 1996 — portanto, há quase 15 anos.

O assunto correu o mundo. Ufólogos brasileiros e estrangeiros chegaram a dar como certa não apenas a visita, mas também alguns efeitos muito deletérios, como a morte de um policial militar que teria tido contato físico com o extraterrestre.

É claro que nunca aconteceu nada disso, mas ainda há uma legião de fanáticos que acredita serem as negativas fruto da mais absoluta manipulação. Quem crê em disco voador costuma descrer de tudo o que negue sua existência.

O Exército já havia chegado à conclusão de que tudo não passou de um fenômeno beirando a histeria coletiva há mais de 14 anos. Mas o resultado da investigação, que sequer trancorreu sob segredo de justiça, ficou guardado numa gaveta qualquer até que a revista semanal o descobrisse e tornasse público.

O que mais me deixou impressionado ao visitar a cidade foi perceber como se dá a gênese de um mito. Ubirajara Rodrigues, uma espévie de ufólogo empirista — que hoje nega a existência do ET — compara o mito que se formou em torno do ET ao que deu origem ao Milagre de Fátima, igualmente forjado a partir do testemunho de três crianças.

Embora um tenha natureza religiosa e o outro permita uma abordagem “científica” por seu caráter não-dogmático, os efeitos produzidos por esse processo de fabulação coletiva em Varginha são bem visíveis. E ninguém precisa acreditar em seres de outros mundos para vislumbrá-los.

Os pontos de ônibus da cidade ganharam a forma de discos-voadores. Na sede da prefeitura, cujo telhado lembra a imagem do OVNI do primeiro “O Dia em que a Terra Parou”, está sendo construído um elevado panorâmico cuja torre reproduz uma plataforma de lançamento de UFOs, ONVIs e congêneres. No centro de Varginha, o souvenir mais vendido nas lojas de artesanato são pequenas esculturas de gesso e laca da imagem do ET.

A lenda, ou mito, do ET de Varginha criou oportunidades de trabalho e hoje sustenta uma parte da população, ainda que de maneira informal. O prefeito Eduardo Corujinha está investindo R$ 1 milhão na construção de um curioso “Memorial do ET”. E há a expectativa de que um certo “turismo ufológico” possa agregar ainda mais renda à cidade mineira.

“Esse ET é patrimônio de Varginha. Ele caiu do céu para nós”, diz o prefeito, que não revela se acredita ou não em discos voadores.

No mais, é convidá-lo a assistir à reportagem no Jornal da Band desta noite. Pra ver com seus próprios olhos como um ser inexistente pode alterar não apenas a percepção da realidadde simbólica, mas também a reaidade fática em si.

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