Um País dividido ao meio. Um azul, outro vermelho. Ambos intolerantes , sectários, edificados sobre uma base de múltiplos fudamentalismos. Obra acabada de Luis... Que País o próximo presidente herdará de Lula ?

Um País dividido ao meio. Um azul, outro vermelho. Ambos intolerantes , sectários, edificados sobre uma base de múltiplos fudamentalismos. Obra acabada de Luis Inácio Lula da Silva — justamente o presidente que capitaizou como méritos próprios os defeitos que costumava apontar de maneira veemente em seus desafetos.

Lula teve o condão de transformar em inimigos pessoais seus adversários políticos. E eles serão legados a seu sucessor, não importa quem seja. Com seus arroubos totalitários, ao propor a “eliminação” dos opositores,  estimular a pancadaria nas ruas, inaugurar um desmedido culto à sua própria personalidade, Lula prestou o último desserviço que um Presidente adorado como um ícone poderia prestar a  qualquer país.

Antes já havia prestado vários outros. A leniência do Chefe de Estado para com a corrupção é um assombro. “Nunca antes na história deste País” houve tanto descalabro na administração pública.  Não bastasse a solidariedade irrestrita aos companheiros caídos, Lula ultrapassou a barreira partidária para socorrer gente como José Sarney, Severino Cavalcanti, Renan Calheiros e Fernando Collor de Mello, seu mais novo amigo de infância. No varejo da execução orçamentária, escândalos sucessivos levaram ao cadafalso mais de uma dezena de ministros.

Em seus oito anos de mandato, Lula foi além de algumas metas que havia estabelecido para chegar ao Palácio do Planalto. Prometeu criar 10 milhões de empregos. Criou 15 milhões. Prometeu adotar a ortodoxia econômica dos tucanos, promessa que levou a ferro e fogo. Não quebrou contratos. E implementou mecanismos de distribuição de renda que mudaram o paradigma da divisão do bolo.

Outros compromissos, no entanto, foram solenemente desprezados. Uma de suas mais importantes bandeiras era a moralização da política. Dela o Presidente se esqueceu ainda antes de subir pela primeira vez a rampa do Planalto. Ao contrário do que prometera, Lula adotou o mais escandaloso pragmatismo como tática para construir e manter sua base parlamentar.

A diplomacia brasileira, antes respeitada em todo o planeta, transformou o Brasil em motivo de chacotas. Ao alinhar-se a um corrupto decadente em Honduras, deposto por um ato do Congresso e do Judiciário, Lula se imiscuiu em um assunto que só dizia respeito ao povo daquele país. Forjou assim a imagem de um País interventor, com requntes imperialistas, que mal sabe reconhecer em seus vizinhos o direito à soberania.

Ao defender o programa nuclear iraniano e alinhar-se a Ahmadinejad, enfureceu os parceiros ocidentais e viu reduzir seu tamanho  em organismos como o Conselho de Segurança da ONU, cuja pretensão a uma cadeira definitiva o Brasil vai ter que arquivar por mais alguns anos.

Lula também negou sua solidariedade aos prisioneiros políticos cubanos. Jamais emitiu uma palavra de censura ao ditador Fidel Castro. Foi criticado por todo o planeta quando da morte de Guilherme Fariñas, que morreu após 85 dias de greve de fome, em plena visita do Presidente brasileiro a Havana. Ao invés disso, comparou os presos do regime castrista a simples bandidos: “Acredito que a greve de fome não pode ser usada como um pretexto de direitos humanos para libertar as pessoas. Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrassem em greve de fome e pedissem a liberdade”, disse ele diante de um planeta incrédulo.

Os erros do governo Lula, hoje empanados por sua ofuscante popularidade, certamente custarão caro ao Brasil por muitas décadas. Mas certamente serão desvelados pela história quando, num ambiente menos passional, o brilho da mistificação começar a ser obscurecido pela passagem do tempo.

Até lá restará para os próximo presidentes administrar o caos moral instalado por Lula. Ou consagrá-lo, como ele fez, para terminar seus dias nutrido por todos os vícios que um dia jurou combater.

Comentários

  • Madrasta do texto ruim

    26/10/2010 #1 Author

    em linhas gerais, devo concordar contigo – e aliás, parabéns, vc foi um dos poucos da grande imprensa a conseguir fazer uma crítica racional ao governo Lula!

    Mas eu discordo de pontos importantes do seu texto:

    – 81% de aprovação (se somar o ótimo com o bom/regular chega a 96% se não me engano) não indica um país rachado ao meio. Indica um país fechadinho com o presidente. Vamos ver quanto o partido de oposição consegue de votos. Mas a oposição não tem simpatias de grande parte do povo "pintado de azul". Tem simpatia de uma classe média e classe alta contrariadas com a ascensão de tanta gente pobre ao mercado consumidor (gostaria de entender como isso se dá, pq as mesmas pessoas que veneram os Estados Unidos das igualdades de direitos são as que repudiam o fato de pobre brasileiro poder comprar carro. Vejo isso em vizinhos da minha mãe, que quase demitiram um porteiro quando ele comprou um carro velho e guardou na garagem do prédio de Botafogo, Rio de Janeiro). O fato é que essa minoria é uma minoria esperneante e que consegue ter seus esperneios repercutidos, amplificados e (principalmente) solidarizados na grande imprensa. Que, como eu disse ao Ronald de Carvalho (http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=2563) mas ele não me ouviu, ao se fechar com os anseios de uma pequena parcela da população, acaba por se tornar parcial por tabela.

    – sou obrigada a concordar que tá aparecendo muita corrupção neste governo. Talvez porque não haja vontade nem necessidade política de ocultar esses podres – prática até então e ainda hoje adotada por muitos governos não petistas

    – relegar a moralização da política a segundo plano é uma que realmente Lizinácio ficou devendo a todos nós, brasileiros. E foi um dos fatores que contribuiu pra grande votação da Marina. E não, não vamos citar nomes de aliados, que isso meu causa engulhos…

    – Na questão da diplomacia brasileira, eu sou obrigada a discordar de tudo o que vc disse: Lizinácio tem a América do Sul na palma da mão. Fruto da capacidade de negociar, conchavar e conversar que só nosso personal apedeuta tem. Ou você consegue imaginar mais alguém adestrando e acalmando Huguito? Certa feita, li na coluna do Ancelmo Góis que o Lula disse a líderes europeus q eles tinham que ter o Ahmadinejad ali do ladinho deles, pq "loucos você deve manter do lado pra tomar conta deles". e completou: "olha o meu caso com o Chávez, eu vou a cada mês e meio na Venezuela ver o que ele tá aprontando!"

    O Lula se dá ao direito de, em negociações mais delicadas, tipo Equador X Peru, de pedir pra Cristina Kirchner resolver, pra não parecer que ele quer se impor com seu tamanho brasileiro em questões de países menores (!!!). Agora imagine éfe agá fazendo isso. difícil, né?

    A questão é que com Lizinácio a AMérica do Sul deu liga, ficou azeitadinha. Tá unida e uníssona. Quem mais conseguiria fazer isso?
    quanto à questão do Irã, leia a entrevista que o Lula deu à Istoé (http://passaoleoeacredita.wordpress.com/2010/08/12/resultado-da-enquete/) pra ver o que realmente aconteceu.

    Sinceramente? Prefiro esta diplomacia à diplomacia que se sujeitava a tirar sapato em aeroporto americano pra ser revistada…

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  • Cesar Adorno

    26/10/2010 #2 Author

    Sera que compensa ser Presidende logo após o Lula? Sera que quatro anos mé suficiente para botar a casa em ordem?

    Responder

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