Primeiro, porque os próprios senadores não lhe dão a menor importância. Se fosse diferente, se hovessem se dado ao respeito, eu provavelmente não estaria...

Primeiro, porque os próprios senadores não lhe dão a menor importância. Se fosse diferente, se hovessem se dado ao respeito, eu provavelmente não estaria escrevendo isto.

Também porque o bicameralismo é uma instituição em xeque em todo o planeta. Mas o bicameralismo brasileiro constitui uma “singularidade”.

O Senado deveria ser o alterego do Legislativo. O órgão de correção das ideias ruins que de vez em quando brotam das mentes iluminadas de alguns parlamentares. Mas é incapaz de cumprir sua função precípua, que é a de fiscalizar o exercício do Poder pelo chefe do Executivo.

O Senado tem dez mil funcionários, boa parte fantasma, boa parte apadrinhada, talvez a maior parte inútil (na avaliação do próprio primeiro-secretário Heráclito Fortes, pelo menos 40% são prescindíveis). Transformou-se numa gigantesca sinecura para a fantasmagoria da República.

O Senado teve um funcionário que veio do nada e se transformou num dos homens mais temidos e respeitados da Nação legislativa. Agaciel Maia, hoje elevado à condição de anticristo, não fez outra coisa senão executar ordens de seus superiores — Suas Excelências, os senadores. De onde veio tanto poder? Do medo. Do medo que seus chefes sentem de que ele diga a mando de quem fez o que fez.

O Senado é antirrepublicano. Nem quando ocorre um gesto de afirmação a algum de seus pares, como foi o caso da entrevista concedida à revista Veja pelo senador Tião Viana, ele se afirma como Poder. Disse Tião: “É papel do chefe de Estado fazer com que as instituições como o parlamento sejam revigoradas”. O contrário do que reza a Constituição, que assegura a separação e a autonomia dos Poderes.

O Senado é desnecessário porque virou uma repartição do Executivo. Sarney está ali e vai permanecer simplesmente porque Lula quer. Tivessem um pingo de altivez, os senadores teriam rechaçado a investida presidencial com muito vigor.

O Senado custa quase R$ 2,73 bilhões por ano aos contribuintes brasileiros. Isso dá R$ 14,75 para cada constribuinte do país.

É caro demais quando serve apenas como fornecedor de mote para manchetes que colocam a Política como matéria-prima do jornalismo policial.

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