Ele tem dentes afiados, orelhas gigantescas e pelo sarnento. Aparece furtivamente do nada e para o nada volta também furtivamente. Sua existência tem sido...

Ele tem dentes afiados, orelhas gigantescas e pelo sarnento. Aparece furtivamente do nada e para o nada volta também furtivamente. Sua existência tem sido denunciada e negada a ponto de se transformar em lenda. Mas o blog está em plena condição de afirmar: Cabeludo, o monstro da Ala Nilo Coelho, existe.

O primeiro alerta de sua existência foi disparado pela jornalista Cristiane Salles. Alguns meses atrás, Cristiane espairecia no começo da noite no jardim de inverno que separa as alas Nilo Coelho e Afonso Arinos quando o monstro apareceu desafiadoramente. Ele se aproximou andando sobre a calçada, lento e determinado, e estacou diante dela.

“Eu quase morri de susto”, conta Cristiane. “Ele mostrou os dentes, fitou os meus olhos. Eu pensei que ia ser atacada”, relata a espantada jornalista. Cris tentou recuar, mas terminou encantoada. Não tinha como fugir. Lívida de pavor, ficou paralisada diante da ameaça.

De repente o monstro recolheu os dentes, olhou para o lado e se foi sem nenhuma pressa. Passou por entre as grades de um portão que dá para os fundos do Anexo do Senado. Quando relatou o que acabara de vivenciar, Cristiane foi alvo de incredulidade.

Carlos Nascimento, outro jornalista que trabalha no mesmo gabinete, também é frequentador incidental do jardim de inverno. A sala dele é a mais próxima da porta que dá acesso ao local. Foi quem salvou Cristiane da incômoda condição em que se encontrava perante os colegas incrédulos.

Nascimento percebeu a presença de Cabeludo no local há muito tempo. “Acho que ele anda por aqui desde o ano 2000”, conta. O monstro, como ele pode perceber em suas diversas aparições, tem hábitos regulares. Todos os dias, religiosamente, ele passa pelos canteiros ornados com tinhorões e samambaias do lugar.

“O incrível”, diz, “é que ele parece ter hábitos sedimentados, que seguem a rotina dos funcionários”. Segundo o relato de Nascimento, o “monstro” Cabeludo — apelido dado por ele à criatura — é solitário. Ninguém sabe exatamente como ele apareceu por ali, mas é certo que jamais foi visto com uma companheira (ou companheiro, já que é impossível definir o sexo).

Cabeludo foi avistado pela equipe de repórteres do Blog na última quarta-feira. No horário e da maneira como foi descrito pelas duas testemunhas. Sua figura é realmente repugnante. Tem o formato exato de um rato, mas é maior do que um gato. O rabo é enorme e nojento. Mas o que mais impressiona é a maneira quase acintosa como ele encara as pessoas.

Nosso Blog consultou uma equipe de biólogos do Google para saber que coisa é aquela. A conclusão unânime é a de que se trata de um animal conhecido como gabiru. Comum no sertão do Nordeste e raro no Planalto Central, o gabiru é um rato enorme e de aparência asquerosa.

Apesar de seu aspecto repugnante, o animal silvestre é protegido pelo IBAMA e corre risco de extinção. É caçado e apreciado como uma iguaria por sertanejos, o que o coloca como alvo potencial dos transeuntes esfomeados que passam pelos fundos do Senado.

O IBAMA que se apresse.

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