As duas primeiras entrevistas de Dilma Rousseff não passaram de manifestações explícitas de babação de ovo. Com um país cindido ao meio, ao final... Primeiras entrevistas de Dilma: só blá-blá-blá

As duas primeiras entrevistas de Dilma Rousseff não passaram de manifestações explícitas de babação de ovo. Com um país cindido ao meio, ao final de uma campanha eleitoral fratricida, Dilma sequer foi instada a falar sobre o que realmente importa.

Na primeira delas, Ana Paula Padrão parecia deslumbrada demais com o fato de DIlma ser a primeira mulher a ocupar a Presidência da República. A ótima Adriana Araújo mal conseguiu entabular perguntas, o que é uma pena. Padrão ainda se esforçou nos temas econômicos, mas dali também não saiu nada. Chama a atenção a falta de profundidade em relação ao ajuste fiscal e ao gerenciamento do câmbio. Dilma saiu do set montado no Hotel Imperial sem ser molestada.

Logo depois de aparecer na Record — primazia conquistada graças a um declarado engajamento da rede do Bispo Edir Macedo na campanha eleitoral — Dilma repetiu Lula em 2002 e foi se sentar ao lado de William Bonner, no estúdio da Globo de Brasília. O privilégio, que o apresentador chamou de “deferência”, na verdade foi produto de uma negociação que excluiu todas as demais emissoras para proteger a reserva de mercado com a qual o governo — os governos — sempre bridou a maior rede de TV do País.

E para que tanto esforço, no que concerne à “exclusividade” concedida à Rede Globo ? Para nada. A entrevista fez várias remissões à biografia da recém-eleita. Não fosse uma última pergunta, sobre o regime cambial, e nada teria sido dito sobre o Brasil que vem aí. Nem de longe os entrevistadores ousaram perscrutar o que virá a ser o futuro governo Dilma Rousseff.

Para quem está interessado em saber algo mais sobre o que vai pela cabeça da “Presidenta” resta a entrevisa desta noite ao Jornal da Band. Não será a primeira, nem a segunda, mas com certeza terá menos babação de ovo e blá-blá-blá.

Comentários

  • Erica

    02/11/2010 #1 Author

    Eu achei engraçado a parte que falava da vida dela, parecia o "Arquivo Confidencial" do Faustão.

    Responder

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