Escaldado pelo efeito devastador das denúncias do escândalo do Mensalão, o governo Lula vai hoje para a arena da CPI da PETROBRAS com um...

Escaldado pelo efeito devastador das denúncias do escândalo do Mensalão, o governo Lula vai hoje para a arena da CPI da PETROBRAS com um arsenal de táticas inspiradas pelo mais absoluto pragmatismo. A ordem do Planalto para a tropa de choque da comissão é empastelar as investigações.

Na Folha de São Paulo de hoje, uma reportagem assinada por Valdo Cruz e Fernanda Odilla informa que a orientação do presidente Lula é utilizar a discussão em torno do Pré-sal para a tática encurralar a oposição, jogando contra ela a opinião pública.

A tática não é nova. Já foi utilizada uma vez, logo que o requerimento apresentado pelo senador Alvaro Dias (PSDB-PR) foi lido. Entidades vinculadas à CUT e à Força do Trabalho, hoje completamente instrumentalizadas pelo governo, se aliaram a outras, como a ABI (leia mais sobre o assunto aqui), que é patrocinada pela estatal, para promover um movimenmto popular de repúdio à investigação.

Um ato público que visava confundir investigação com privatização coneguiu irritar tucanos e democratas, mas foi inócuo em relação à formação da própria CPI. Naquele instante, há cerca de um mês, o Planalto ainda pensava que seria possível evitar a investigação.

Os parlamentares liderados por Renan Calheiros (PMDB-AL) e Gim Argello (PTB-DF) conseguiram adiar a instalação da comissão por mais de um mês. Agora, se defrontam com a contingência de ter que barrar, sistematicamente, a aprovação de requerimentos de informação e a convocação de testemunhas que possam causar algum dano à imagem da empresa.

A oposição vai trabalhar “metonimicamente” – mirando no pequeno para forçar o envolvimento do grande. Desta forma, os primeiros requerimentos tratam da solicitação de informações ao Ministério Público, ao TCU e à Polícia Federal sobre processos, sindicâncias e inquéritos que já estão instalados.

Na segunda fase, tucanos e democratas vão convocar prestadores de serviço que aparentemente foram contratados para trabalhar para campanhas políticas supostamente sustentadas por dinheiro da estatal. Donos de três produtoras que atuaram como fonecedoras da PETROBRAS e em campanhas políticas do PT serão convocados. Os vídeos devem ser periciados para se saber se justificam os orçamentos milionários de produção.

Só depois disso é que o nome de gerentes e diretores da petroleira deverão constar dos requerimentos de convocação. A ordem é não procurar atalhos, galgar degrau por degrau a cada irregularidade que se tornar irrefutável.

A oposição tem contra si um adversário implacável: o tempo. Com apenas seis meses para investigar e as dificuldades políticas que serão impostas para uma eventual prorrogação,  os adversários do governo vão ter que trablhar duro — e muito rápido.

A tarefa é dificílima. Basta lembrar que exatos 40 dias transcorrem — e se perderam — apenas entre a primeira tentavia de instalação e a sessão da tarde desta terça-feira.

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