Ivan Iunes – A foto tirada na data da posse de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, com a primeira equipe ministerial é... Dos 24 ministros de Lula em 2003, apenas Celso Amorim deve sobreviver

Ivan Iunes –

A foto tirada na data da posse de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, com a primeira equipe ministerial é um exemplo de que a maioria dos ministros nomeados no início de cada governo não costumam ter vida longa na Esplanada (veja lista abaixo). Dos 24 nomeados pelo presidente Lula no primeiro mandato, apenas o comandante das Relações Exteriores, Celso Amorim, deve concluir os oito anos do governo na mesma pasta. O chanceler divide o título de longevidade no cargo com Henrique Meirelles, do Banco Central, e Jorge Armando Félix, do Gabinete de Segurança Institucional.

Assim que tomou posse na Presidência da República em janeiro de 2003, Lula posou com uma equipe de 32 auxiliares diretos, entre ministros, secretários com status ministerial e titulares de cargos de destaque na Esplanada. Dessa foto, além de Amorim, Meirelles e Félix, apenas o atual ministro da Fazenda, Guido Mantega, permaneceu nos oitos anos de governo, embora em cargo distinto. O histórico de mudanças na Esplanada mostra que o petista trocou cada titular em média de três em três anos.

A primeira leva a deixar os postos foi composta por quatro nomes: Benedita da Silva (Assistência Social) saiu depois de se ver envolvida em denúncias de uso de dinheiro público para ir a um evento religioso; Cristovam Buarque (Educação) foi demitido por telefone; Emilia Fernandes (Direitos das Mulheres) e Miro Teixeira (Comunicações) deixaram as pastas por conta de composições políticas; e José Graziano (Segurança Alimentar), por não conseguir fazer deslanchar o programa Fome Zero, então carro-chefe do governo Lula.

Outros três, Tarso Genro (Desenvolvimento Econômico e Social), Ricardo Berzoini (Previdência) e Jaques Wagner (Trabalho) acabaram remanejados para outras pastas. Genro ficou na Esplanada até o início do ano, como titular da Justiça. Wagner passou a cuidar das Relações Institucionais e depois foi concorrer ao governo da Bahia. Berzoini assumiu o Ministério do Trabalho, mas acabou deixando o cargo para exercer mandatos no partido e na Câmara dos Deputados.

Depois da primeira reforma ministerial, a maior diáspora de ministros aconteceu no rastro de escândalos, o maior deles o do mensalão, que provocou a saída, em momentos distintos, do então chefe da Casa Civil, José Dirceu, além de Walfrido dos Mares Guia (Turismo) e de Luiz Gushiken (Comunicação Social). Acusado de quebrar o sigilo bancário de um caseiro, Antônio Palocci (Fazenda) também deixou o cargo.

Da composição inicial do ministério Lula, dois titulares acabaram, nas eleições de outubro, em lados distintos. Escolhida inicialmente para Minas e Energia, Dilma Rousseff foi nomeada para a Casa Civil e deixou o cargo, em março, para participar do pleito. Senadora pelo Acre, Marina ficou no Meio Ambiente até 2008, quando largou a pasta por divergência com Lula e alegando dificuldades para implementar a agenda ambiental.

Mas há heranças
A análise da composição do ministério inicial de Lula com o que deve ser montado por Dilma Rousseff mostra que ao menos dois personagens altamente cotados em 2003 seguirão em alta a partir do ano que vem. Escolhidos para a área econômica do governo Lula, Guido Mantega (Planejamento) e Antônio Palocci (Fazenda) tiveram trajetórias distintas, mas ambos constarão da foto inicial de Dilma no Palácio do Planalto.

Então assessor econômico de Lula, Mantega ainda ocupou a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) até ser nomeado para a Fazenda, pasta para a qual será mantido por Dilma. Depois de cair na esteira das denúncias de que teria quebrado o sigilo bancário de um caseiro, Palocci reconstruiu a carreira política. Venceu eleição para deputado federal e, ao participar da coordenação da campanha presidencial da petista, assumirá a Casa Civil.

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