“Foi um tiro no pé”. A frase, pronunciada pelo senador Antonio Carlos Valadares, foi uma de suas poucas manifestações públicas de desagrado depois de...

“Foi um tiro no pé”. A frase, pronunciada pelo senador Antonio Carlos Valadares, foi uma de suas poucas manifestações públicas de desagrado depois de ter sido levado à renúncia ao Conselho de Ética pela tropa de choque do PMDB.

Comedido e racional, o senador sergipano, cujo nome fora um dia antes cotado como virtual presidente do conselho, não é dado a lamentações públicas. Mas na noite desta quarta-feira, enquanto caminhava do Senado para a Câmara dos Deputados, ele não poupou críticas ao grupo comandado por Renan Calheiros (PMDB-AL).

A todo momento, ao longo de uma caminhada de apenas 150 metros, ele foi instado a responder quais os motivos ocultos que o teriam levado à renúncia. “Eu não poderia apresentar um parecer contra a base aliada”, contou a um grupo de prefeitos de seu estado que estavam em Brasília para uma manifestação.

“Acho que o Renan quer manietar o Conselho, só pode ser. Não sei o que tanto ele teme”, disse o senador. Valadares também contou que se reuniu com o próprip Renan 24 horas antes da fatídica manobra de obstrução que terminou por adiar em 24 horas a instalação do Conselho de Ética.

“Estava tudo certo. Eles tinham aprovado meu nome. A condição era eu presidir o Conselho”. Para ele, o acordo que previa sua aclamação continuava de pé até minutos antes do início da sessão de instalação que não chegou a acontecer.

Valadares só tomou conhecimento de que o PMDB havia mudado de posição quando os parlamentares a serviço de Renan deixaram o planário. Sequer foi comunicado de que havia uma mudança em curso.

“Mas isso não ficou bom para eles (o PMDB) nem para o Sarney. Agora vão ter que assumir sozinhos toda a responsabilidade e o desgaste por esse processo”, vaticina o senador.

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