Lilian Tahan – A água a R$ 4,89 foi suspensa. O lanchinho de R$ 21,48 também. Mas a festa na Esplanada dos Ministérios... Bota-fora do governador Rosso custará quase R$7 milhões ao GDF

 

Lilian Tahan –

A água a R$ 4,89 foi suspensa. O lanchinho de R$ 21,48 também. Mas a festa na Esplanada dos Ministérios patrocinada pelo Governo do Distrito Federal continua e custará R$ 6,8 milhões, dinheiro suficiente para construir quatro escolas, 130 casas populares ou colocar em funcionamento 2,5 mil leitos de UTIs, uma deficiência na capital do Brasil. O maior volume de dinheiro, R$ 3,6 milhões, pagará o cachê dos artistas. Outros R$ 3,2 milhões serão para financiar a estrutura do evento, que começou no Natal e só termina no ano-novo. A audiência, no entanto, está longe de justificar o volume de recursos aplicados nas comemorações. No último domingo, segundo estimativas da Polícia Militar, 15 mil pessoas participaram da festa e apenas seis mil ficaram para assistir à banda Roupa Nova, a principal atração da noite.

Na última sexta-feira, o Correio noticiou com exclusividade detalhes sobre as despesas planejadas pelo GDF para os eventos da virada. A reportagem contou, por exemplo, que o governo havia previsto a compra de 840 garrafas de 300 ml para servir no camarim dos artistas contratados e staff dos shows. Cada unidade a R$ 4,89. Mais caro que a água francesa da marca Perrier e quase cinco vezes o valor das mais acessíveis, como a São Lourenço, cuja garrafa de 300 ml sai a R$ 1,02. Um lanchinho com fruta, sanduíche de presunto, queijo, alface, tomate e refrigerante foi orçado em R$ 21,48. Diante da polêmica que os números causaram, o GDF cancelou a água e o lanche.

Mas a Secretaria de Cultura manteve de pé a apresentação das 53 atrações contratadas para os sete dias de festa na Esplanada. Estão programadas apresentações de bandas locais e alguns shows com artistas nacionais. O cachê mais caro será pago à dupla sertaneja Fernando e Sorocaba, que fechou negócio com o GDF no valor de R$ 400 mil (veja quadro). Em segundo lugar no ranking de despesas com a festa de fim de ano está o cachê de R$ 300 mil pago a Bruno e Marrone, também sertanejos. A quarta atração mais cara foi a banda Roupa Nova, que cobrou R$ 180 mil, mas só foi prestigiada por seis mil pessoas, como estimou a PM no último domingo. Alguns artistas menos famosos também receberão cachês generosos. Irmão Lázaro (R$ 50 mil), Anjos de Resgate (R$ 47 mil) e Roniel e Rafael (R$ 30 mil) são alguns exemplos.

Avaliação
Dois produtores da cidade ouvidos pelo Correio, que preferem não se expor na reportagem, avaliam que os cachês pagos pelo GDF estão acima do preço de mercado. “Há alguns valores até compatíveis, mas a maioria é visivelmente um exagero. É uma festa, mas não para os moradores e sim para os produtores e artistas que, supostamente, recebem essas quantias”, diz um dos especialistas no assunto ouvido pela reportagem. Mas não é só o volume de dinheiro que chamou a atenção de produtores. Mas o fato de a festa deste ano ter a duração de uma semana. “Festa da virada é uma comemoração aceitável e esperada pela população, agora uma semana inteira e decidida de última hora cheira a armação”, considera um outro empresário de shows.

Uma das explicações possíveis é que a Secretaria de Cultura se empenhou em gastar o máximo possível do dinheiro autorizado pelo governo, que no começo do ano somava modestos R$ 3 milhões, mas foi fermentado ao longo de 2010 com créditos suplementares até chegar a R$ 21 milhões. Em agosto deste ano, a secretaria já havia reservado R$ 3 milhões para realizar a Virada Cultural. Gastou R$ 1,8 milhão no evento pouquíssimo divulgado. E torrou o resto da rubrica para aquele evento na comemoração desse fim de ano.

O secretário de Cultura, Carlos Alberto de Oliveira, acha que o preço está justo para a meta do evento realizado: “Estamos fazendo as pessoas felizes, levantando a autoestima do povo. Se o governador colocou orçamento para isso, organizar a festa é o meu dever”. Sobre os valores de orçamento para estrutura dos eventos, visivelmente acima do mercado, Oliveira, que é um delegado de polícia, afirmou que foram tirados de uma ata de preço do Ministério do Desenvolvimento Agrário. “Um exagero”, considerou o secretário que entra, Hamilton Pereira, mais conhecido como Pedro Tierra, para quem a política cultural deve ir além de espetáculos.

Clique aqui para ler a íntegra no site do Correio

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