Seria apenas um gesto corriqueiro na rotina do governo: a presidente da República quebra a rotina administrativa, entra em um helicópetro e sobrevoa a... Tragédia climática marca diferença de estilos entre Lula e Dilma

Lula e a família Silva farofando em Inema, Bahia, enquanto o mundo derretia um ano atrás

Seria apenas um gesto corriqueiro na rotina do governo: a presidente da República quebra a rotina administrativa, entra em um helicópetro e sobrevoa a área em que as chuvas torrenciais fizeram mais de 500 mortos. Mas foi muito mais do que isso. Demarcou uma diferença abissal entre os estilos do ex-presidente Lula e da atual, Dilma Roussef.

Para quem não se lembra, as chuvas impiedosas na virada no passado também produziram dezenas de mortos no estado do Rio de Janeiro. Lula, entretanto, preferiu manter o cronograma de férias e se deixou fotografar em sua farofa incidental transportando um isopor cheio de latinhas de cerveja na praia de Inema, na Bahia.

A decisão de Lula de manter o descanço presidencial guarda muita coerência com seu comportamento habitual diante de fatos negativos que geram comoção na opinião pública. Sua ausência também foi notada em várias outras oportunidades que teve para demonstrar solidariedade a vítimas de eventos trágicos, como por exemplo no acidente com o Airbus da TAM em São Paulo. A mesma coerência que se verifica ainda hoje no comportamento público do governador Sérgio Cabral, que este ano desapareceu, extamente como havia feito no ano passado, enquanto seu Estado derretia com os temporais do antepenúltimo reveillon.

Outra diferença gritante: Dilma concedeu sua primeira entrevista coletiva formal 13 dias depois de ser empossada. Lula foi conceder sua primeira entrevista coletiva apenas no apagar das luzes do primeiro mandato. As circunstâncias meteorológicas fizeram com que a atual presidente levasse apenas 13 dias para o primeiro econtro formal com jornalistas.

Discreta, encastelada no Planalto quando não há o que fazer na rua, Dilma Roussef opta por fazer o que deve ser feito, não apenas o que é conveniente para criar uma imagem popular — caso de Lula logo após sua posse, em 2003, quando ele tornou hábito quebrar o protocolo e enlouquecer a segurança ao acorrer a qualquer pequeno grupo de eleitores que se formava por onde ele passava.

A comparação entre o comportamento dos dois presidentes nos primeiros dias de governo deixa claro que Dilma é diferente de Lula — e contribui para o início do processo de corrosão do mito criado pelo ex-presidente em torn ode si mesmo. Se isso se refletir no que importa, que é a administração do País e da rotina da administração, talvez a efetividade das ações do Estado logo comece a ser percebida pelos eleitores.

Como se sabe, até hoje municípios atingidos pelas cheias do verão passado esperam pela liberação de recursos que  deveriam ter sido empregados na mitigação dos efeitos das cheias e das avalanches de escombros em que se transformaram as enconstamis dos morros cariocas nos temporais da temporada 2009/2010. Puxando pela memória, nunca é tarde para lembrar que o então ministro Gedel Vieira Lima, responsável pelo atendimento de emergências sob Lula, desviou para a seca Bahia, seu estado natal, quase tudo o que havia no cofre das contingências.

Caso persista, o estilo Dilma pode dar uma outra contribuição, desta vez para a história do País: o início da corrosão do mito criado por Lula em torno de si mesmo com ações espetaculares e omissões dolosas. Se desta vez não há caravanas da fome, imagens delirantes da multidão genuflexa abraçando seu presidente, há pelo menos alguém com sensibilidade suficiente para saber que demonstrar preocupação e solidariedade aos súditos enlutados pode não render boas fotos, mas dá conforto ao País.

Comentários

  • Panchenlama

    14/01/2011 #1 Author

    Em foto oficial, Dilma ria quando descia do helicóptero que usou para fazer turismo pelas desgraças do Rio de Janeiro!

    Terrorista é isso aí!

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