Com informações do Jornal O Estado de S.Paulo. Leandro Colon Outra investigação preliminar realizada na gráfica do Senado Federal já identificou várias irregularidades. São...

Com informações do Jornal O Estado de S.Paulo.

Leandro Colon

Outra investigação preliminar realizada na gráfica do Senado Federal já identificou várias irregularidades. São contratos de terceirização sob suspeita, um forte esquema de agiotagem sob o comando de funcionários e 420 servidores efetivos desviados de função em outros setores da Casa.

A gráfica era o grande braço político de Agaciel dentro do Senado. O setor tem um orçamento anual de R$ 30 milhões – sem incluir a folha de pagamento. Esse montante é usado em contratos de terceirização, investimentos e manutenção de equipamentos.

O serviço que levanta mais suspeita é prestado pela empresa Steel. Sediada em Lauro de Freitas, na Bahia, recebe R$ 7 milhões por ano para fornecer 129 funcionários. Esse contrato, comandado por aliados do ex-diretor Agaciel Maia, virou um cabide de empregos para apadrinhados e parentes de servidores da Casa.

Aliado de Agaciel, Luiz Paz, o Luizinho, indicou Auricelly Christiane Oliveira para gerenciar a Steel. Uma irmã dela e o namorado trabalham na empresa. Uma cláusula do contrato diz que cabe ao Senado avaliar tecnicamente a capacidade dos terceirizados da Steel, uma brecha que facilitou o empreguismo de amigos e familiares, segundo justifica o próprio dono da empresa, Manoel Oliveira.

Famílias inteiras do Rio Grande do Norte estão contratadas pela Steel dentro do Senado – é o Estado de Agaciel. Um levantamento interno descobriu, por exemplo, que 420 dos 1,1 mil servidores efetivos da gráfica estão deslocados para outros setores do Senado, como gabinetes de senadores e secretarias. O resultado disso foi a terceirização, responsável pelo preenchimento de 150 vagas.

Um esquema de agiotagem também foi detectado pela investigação e envolve servidores e pessoas fora do Senado, que frequentam a gráfica nos dias de pagamento para descontar os cheques dos empréstimos direto na boca do caixa.

Em junho, o primeiro-secretário, Heráclito Fortes (DEM-PI), trocou o diretor da gráfica. Saiu Júlio Pedrosa, entrou Florian Madruga. Entre 1993 e 1994, a gráfica foi palco de um escândalo. Na época, o senador Humberto Lucena – já falecido – foi acusado de usá-la para imprimir material de campanha eleitoral. No mesmo período, Roseana Sarney, então deputada e candidata ao governo do Maranhão, teria usado a gráfica do Senado para os mesmos fins. Então diretor executivo do setor, Agaciel assumiu as responsabilidades. Em 1995, Agaciel foi escolhido pelo presidente José Sarney (PMDB-AP) para ser o diretor-geral da Casa.

No local, funciona também o Conselho Editorial do Senado, órgão comando por Sarney, responsável pela análise dos livros que são impressos. O conselho foi palco de nomeações secretas dentro da Casa, entre elas aliados de Sarney no Amapá e a aspirante a modelo Nathalie Rondeau, filha de Silas Rondeau, ex-ministro de Minas e Energia, indicada pelo senador para ocupar o cargo.

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