O dia no Senado se perdeu na discussão de uma falácia. Aliás, várias. A primeira delas é o desvio intencional do foco do problema...

O dia no Senado se perdeu na discussão de uma falácia. Aliás, várias.

A primeira delas é o desvio intencional do foco do problema representado pela CPI da PETROBRAS. O governo se saiu vitorioso e a oposição entrou na liça, jogando com as regras alheias. Por insistência do PSDB, a investigação parlamentar agora é fato consumado. Os partidos se reuniram, seus caciques traçaram a estratégia e o jogo começou. Nas preliminares, a indicação dos quadros que vão compor o time da CPI — ou os times, uma vez que o foro é uma arena sobre a qual governo e oposição começam a se bater a partir da próxima quinta-feira.

A falácia inaugural é a acusação de que aos opositores do regime lulista interessa criar o pano-de-fundo para a privatização da BR. Isso não está nem nunca esteve em discussão. Mas foi o tema que polarizou o debate parlamentar. Ninguém disse, propôs ou sequer pensou em privatizar a maior estatal brasileira. Mas governo e oposição duelavam sobre a proposta como se isso fosse acontecer amanhã. Ou algum dia.

A onda de acusações começou com o próprio presidente Lula acusando seus opositores de “terrristas”. Em seguida, os ministros da área econômica pegaram o mote e começaram uma ação orquestrada para desmoralizar a oposição. Daí até a tribuna do Senado foi um pulo. Com a credibilidade do senador Aloízio Mercadante, um dos poucos próceres governistas esclarecidos, o assunto ganhou corpo e consistência.

Assim como não é verdade que tucanos e democratas queiram incendiar a PETROBRAS, também não é verdade que a oposição queira fazer uma investigação “limpa”, “equilibrada”, em benefício do patrimônio representado pela estatal. O que todos querem, uns mais outros menos, é encontrar aquilo que se supõe estar acobertado pela administração aparelhada da empresa. São muitas e muito graves as suspeitas. E, com algum esforço, Artur Virgílio e Álvaro Dias não terão dificuldade para chegar onde pretendem.

O pavor do governo é evidente. E a evidenciá-lo está a palavra “terror”, sentimento que deve ter se infundido entre as hostes palacianas com a deflagração iminente do processo de investigação. Se a oposição está fazendo terror, o governo deve estar aterrorizado. Apesar da sensação confortável de impunidade que reina no governo Lula.

Em meio a isso tudo está a opinião pública. Para ela, sobejamente, os parlamentares, de um lado e de outro, estão “se lixando”, como diria o filósofo Sérgio Moraes. Porque se tivessem algum apego a ela, mínimo que  fosse, os senadores estariam empenhados em informar, não em desinformar. Para ela só restam as  mantirinhas que alimentam o jogo politico. Que geram debates emocionados, as jugulares saltando apra fora do pescoço dos oradores.

Mente-se daqui e de lá. Mente-se não para quem está no jogo, mas para os que estão na platéia. E ao final de um processo construído sobre inverdades, que traz a mentira inscrustada no genótipo, a única coisa que se pode esperar é um malogro orquestrado. No dia em que precisarem falar francamente com os cidadãos deste país, os políticos estarão tão destreinados que não haverá como.

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