Por André Fachetti Lustosa, no Blog Visão Geral Poucas vezes eu vi uma cena tão dramática. Tive náuseas. Não importa se culpada ou inocente;...

Por André Fachetti Lustosa, no Blog Visão Geral

Poucas vezes eu vi uma cena tão dramática. Tive náuseas.

Não importa se culpada ou inocente; não importa se funcionária pública sob suspeita de crime; importava e importa tratar-se de um ser humano, com a dignidade que lhe diferencia de um cão – e para cães, a Sociedade Protetora dos Animais já teria se manifestado.

Ninguém se manifestou nesse caso. E ele foi das coisas mais chocantes que eu já vi na minha vida. E me lembrou de perguntar: se aconteceu assim diante das câmeras, e entre policiais da mesma corporação, o que não acontece com o povão fechado em quatro paredes e com gente bem disposta para bater forte da manhã até a noite em alguém?

Eu não reproduzirei o vídeo aqui (por razões íntimas, pessoais), mas qualquer um pode encontrar pela internet as cenas chocantes de uma escrivã de polícia que, acusada de concussão (funcionário público exigindo propina), foi obrigada por Policiais SP a tirar a roupa enquanto era acuada como um verme maldito.

Não há expressões melhores do que essas para descrever os fatos.

Dentro de uma sala, cercada por uma dezena de homens (diz-se haver duas mulheres, também), a escrivã exigia que, para ser revistada intimamente (ou seja, com busca de provas efetivas do pretenso crime que poderiam estar escondidas em suas roupas íntimas), somente policiais femininas poderiam cumprir a averiguação. E, obviamente, as cenas não poderiam ser filmadas como estavam sendo.

Era o mínimo que se poderia esperar num Estado Democrático de Direito – ou qualquer outro qualificativo que você tenha para um Estado que assegura o tratamento em nível humano para… um ser humano.

O que se viu foi a Escrivã recebendo voz de prisão pelo maníaco Delegado que coordenava a operação e insistia em acompanhar a revista íntima, e logo após ser algemada, foi agarrada à força, domada e teve sua calça e roupa íntima arrancadas por brutamontes.

Os fatos são de 2009 e foram divulgados agora no blog do jornalista Fabio Panunzzio.

Eu não quero listar os tipos penais, eu não preciso discriminar os incontáveis absurdos que se deram ali naqueles 12 minutos de vídeo terrorista. Nem preciso sugerir uma das centenas de formas mais adequadas de se localizar o dinheiro – caso realmente fosse tão importante a localização das cédulas.

É óbvio que para a condenação da Escrivã por concussão, as provas obtidas ANTES daquele escárnio já eram suficientes (havia, entre outras coisas, o áudio do ajuste entre a Escrivã e quem lhe passava a propina).

E aí, para fechar com as chaves do inferno: as denúncias perante a Corregedoria de Polícia e o Inquérito Policial que apuravam as responsabilidades dos Delegados e demais policiais naquele óbvio abuso de poder foram arquivados, por serem consideradas medidas corretas, dentro dos limites da normalidade, e praticadas por policiais corajosos e destemidos.

Para mim, acab… ************************************** (eu tinha escrito umas outras coisas, mas refleti e lembrei que ainda tenho responsabilidades muitos sérias com clientes, com meus alunos de Faculdade de Direito, com meus amigos, com quem me ajuda e com quem eu busco auxílio…)

Estou ENOJADO.

Sem data de encerramento.

via VISÃO GERAL !: Sem título porque não tenho palavras: o caso da Escrivã de Polícia despida covardemente.

Comentários

  • TiagoDamian

    21/02/2011 #1 Author

    Retiro aqui a minha opnião pessoal e o sentimento frente ao ser humano, comento aqui a visão seca dos fatos, embora eu também esteja enojado.
    Sempre há uma segunda visão do que aconteceu.

    A vítima estava mais preocupada em não ser pega do que com sua exposição.
    Usando para tanto o dever dos policiais de que mulheres só podem ser revistadas por policiais mulheres ou médicos.

    O cara que estava gravando (que não se pode chamar de cameraman) não filmou a "periquita" dela.
    Teve condescêndencia ao fato atentado por ela.

    Dito isso, acabo por parecer meu comentário 'puxado' pro lado errado,
    o fato é que um ponto que você atentou no post é real:
    imaginem quantas outras destas situações não ocorrem?

    sei que meu comentário fiocu confuso.

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  • Afonso

    21/02/2011 #2 Author

    Já se falou tudo sobre o evidente abuso.Queria acrescentar uns pormenores:- A corregedoria dispõe de meios(no caso,policiais mulheres) que poderiam ser requisitadas,e o tempo de espera não prejudicaria em nada o flagrante.
    Mais uma.Uma pergunta(capciosa):Por acaso foi alterada a constituição no que tange à separação das polícias? O que fazem ali,policiais militares e guardas civis? Acaso há amparo legal para que esses agentes ponham-se subordinados ao delegado na condução do flagrante? Leigo que sou,penso que só justificaria a ação daqueles agentes em caso de contenção de uma possível agressão da acusada.Jamais como auxiliares do delegado na obtenção da prova.Devem responder aqueles agentes pela subordinação indevida e o delegado pela ilegalidade das ordens a agentes fora da sua alçada.A escrivã deve responder pelos crimes que porventura cometeu.E os delegados também.Não deve-se admitir arbitrariedades por agente estatal investido de poder (tão potencialmente perigoso) como de polícia.Onde pode chegar essa aceitação a nossa história recente mostra muito bem.

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  • Cris

    21/02/2011 #3 Author

    Olá,
    eu me sinto exatamente como você. Fiquei com náuseas ao assistir o vídeo. Ja fui escrivã de polícia e sei bem do que os delegados, principalmente aqueles da corregedoria, são capazes de fazer, mas juro que nunca, em tempo algum imaginei que tamanha sordidez poderia ser tolerada e ainda apaludida pela infeliz corregedora, que por ironia é uma mulher. Quando acontece coisas assim agradeço a Deus por ter me tirado do Brasil. Estou chocada até agora e como diz o colega sem data pra me conformar.

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