O governador de São Paulo, Geraldo Alkmin, mandou investigar o “vazamento” do vídeo em que uma escrivã acusada de concussão aparece sendo humilhantemente despida...

O governador de São Paulo, Geraldo Alkmin, mandou investigar o “vazamento” do vídeo em que uma escrivã acusada de concussão aparece sendo humilhantemente despida por uma equipe da Corregedoria da Polícia Civil dentro das dependências da Delegacia  de Parelheiros, na Zona Sul de São Paulo. O caso aconteceu em 15 de junho de 2.009 e só foi levado ao conhecimento da opinião pública quando o Blog do Pannunzio publicou imagens das sevícias, que foram registradas por ordem da própria Corregedoria.

Ao contrário do que afirma o governador, não houve vazamento algum. O vídeo foi juntado a dois inquéritos policiais que são públicos e podem ser acessados por qualquer cidadão. O próprio governador do Estado recebeu uma cópia por obra da OAB no fim do ano passado.

O envio do video às autoridades paulistas foi determinado por ofício pelo advogado Luiz Flávio Borges Durso, Presidente da Secção Paulista da Ordem dos Advogados do Brasil, assim que  as imagens foram encaminhadas pelo advogado Fábio Guedes Garcia da Silveira, procurador da escrivão V.S.L.F. , em 18 de outubro do ano passado.  Nenhuma providência foi tomada.

Assim que teve acesso ao conteúdo do video, o Blog do Pannunzio entrou em contato por telefone com o advogado e solicitou autorização para a reprodução das imagens. A autorização verbal foi prontamente concedida e a única condição estabelecida foi preservar a identidade da escrivã, o que vem sendo integralmente cumprido.

Melhor seria se o governador mandasse apurar por que os delegados, flagrados em situação inequívoca de abuso de autoridade e constrangimento ilegal, não foram punidos pela Corregedoria de sua própria polícia.

Ao contrário do que afirma o governador, o verdadeiro “vazamento” ocorreu logo depois da lavratura do flagrante. O video circulou entre funcionários da Corregedoria e do Ministério Público e suscitou comentários desirosos a respeito dos detalhes anatômicos da escrivã. Foi só em função disso que os advogados de  V.S.L.F. conseguiram obter uma cópia. Até então, sua existência vinha sendo negada formalmente.

Tirar o foco do problema é adotar a teoria do sofá — aquela segundo a qual a culpa do adultério é do sofá sobre o qual a mulher trai o marido. Em vez de perder tempo com inutilidades — e uma vez que o “vazamento” está esclarecido pela fonte primária responsável pela publicação do material — resta ao governador explicar a truculência de seus policiais.

Comentários

  • João Antunes

    21/02/2011 #1 Author

    A sociedade agradeçe jornalistas corajosos e que lutam por uma sociedade justa. (publica até aqui, o seguinte é um desabafo: queria ver tirarem as calças daqueles delegados, do promotor que pediu o arquivamento, do juiz que aceitou o arquivamento e do Governador, pra ver se eles iriam gostar).

    Responder

  • Paulo

    21/02/2011 #2 Author

    A gravidade do ocorrido supera a gravidade do ato da escriã. Punição para todos!!!!

    Responder

  • Mônica Costa

    21/02/2011 #3 Author

    Qual foi o abuso? Fazê-la tirar a roupa? E se o dinheiro estivesse em seu estomago, também seria abuso fazer uma ultrassom?

    Responder

    • Luis

      22/02/2011 #4 Author

      Mônica… você, como mulher, deveria ser a primeira a entender qual foi o abuso. E como foi dito em outra reportagem do blog, a revista era desnecessária para provar a culpa. Já estava provada em gravações por escuta autorizada pela justiça.

  • Augusto

    21/02/2011 #5 Author

    Parabéns, Pannunzio!!! Parabéns mesmo, cara!!!

    Responder

  • Luciano Prado

    21/02/2011 #6 Author

    Esse abuso, essa barbaridade não foi perpetrada apenas contra a escrivã, mas contra toda a sociedade, principalmente contra as mulheres. Parabéns ao jornalista e a Band por não deixar o caso cair no esquecimento. A sociedade brasileira precisa de respostas e providências urgentes. Isso não pode mais ocorrer. Tem que haver punição exemplar.

    Responder

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *