MP já designou promotores para reabrir investigação da “Operação Pelada”

Luciana Frugiuele: feições suaves, linha dura

Luciana Frugiuele, Promotora de Justiça há 15 anos, integrante do Grupo de Ação Especial para o Controle Externo da Atividade Policial (GECEP), é quem vai coordenar as investigações sobre o comportamento dos delegados da Corregedoria da Polícia Civil de são Paulo que participaram da chamada Operação Pelada.

A ordem da Procuradoria-Geral é não poupar esforços para encontrar um caminho que permita a reabertura do caso. O desafio é grande. O primeiro inquérito policial foi arquivado a pedido do procurador Lee Robert Kahn da Silveira. Além de não enxergar abuso nas imagens que chocaram o País, ele ainda elogiou a atuação dos delegados (veja post sobre o assunto aqui). Como o pedido do promotor anterior foi acatado pelo juiz da Vara Distrital de Parelheiros, onde corria o inquérito, os três promotores que integram o grupo estão trabalhando em conjunto.

Não é difícil vislumbrar a divergência deles em relação a Kahn da Silveria. Hoje de manhã, Fernando Albuquer Souza, um dos integrantes do CEGEP postou no Facebook uma mensagem que pode sintetizar a disposição do trio. “Para aqueles que têm acompanhado as notícias do caso da escrivã de polícia que foi despida em busca do dinheiro ilegalmente recebido, informo que o inquérito policial foi arquivado a pedido da Promotoria de Parelheiros. Eu e meus colegas, integrantes do GECEP, respeitosamente discordamos desse posicionamento por entender que a busca foi contrária à lei”.

A primeira providência, que já foi tomada, foi oficiar a Corregedoria solicitando o envio de todo o material que integrou os procedimentos administrativos. Os passos seguintes não serão divulgados porque, segundo Luciana Frugiuele, envolvem as intimidades da vítima, o sigilo a que os delegados têm direito e a privacidade de muitas outras pessoas. “Nada aqui será violado, nem em nome da contenção do clamor público”.

“Vocês só vão saber o resultado quando todos os  elementos forem colhidos e permitirem uma conclusão”. A promotora, no entanto, pede que a população confie no Ministério Público. “Nós vamos dar o máximo do nosso esforço para que seja feita justiça nesse caso”, arremata Frugiuele.

Comentários

5 thoughts on “MP já designou promotores para reabrir investigação da “Operação Pelada”

  1. Senhora promotora, as cenas vistas naquele vídeo me deram nauseas, foi um show de horrores, é dessa forma que a polícia civil colhe provas???? Vitimando as pessoas, torturando, estamos no século XXI, aquilo me pareceu coisas da época da inquisição, não importa se a moça tinha cometido um crime, os fins não justificam os meios, prova totalmente ilícita, aquele delegado parecia um monstro, arrancar a roupa da moça daquela forma estúpida, na frente de tanta gente.algemar, jogá-la no chão, é tirar toda dignidade de uma mulher. se o Brasil não puner esses canalhas, o caso deve ser levado para as comissões interamericana de direitos humanos

  2. Para os estudantes de direito, fica a lição: como colher prova ilícita, estar desatualizado, e desrespeitar uma mulher e colega de trabalho.
    O que mais me assusta é que a OAB de SP até agora não interferiu nesse caso, pois o video parece-me claramente editado.
    Alias, o video comprova mais uma vez que as "otoridades" devem ser expulsas da corporação.
    Lamantável.
    Como advogada, estou revoltada, como mulher indignada. Como cidadã, quero justiça.

  3. Se cabe punição aos delegados (e eu creio que cabe) também, e principlamente, cabe ao Juiz e ao representante do MP que consideraram tudo legal. Não creio que vai haver punição alguma. Tem promotor que comete homicídio e é apenas afastado…
    MP faz parte da justiça brasileira, gente. E temos visto inúmeros casos de corporativismo na justiça. Esse será somente mais um.

  4. Pra que serve a lei ? supostamente pra ser obedecida por todos, certo ? errado ! nesse caso a lei nao seviu pra nada pois o delegado nao aplicou, e se nao aplicou pra que serve um delegado ? nesse caso nao serviu pra nada, quer dizer serviu pra expor a incopetencia. Seria cômico se nao fosse trágico. Imagino quantos estão atrás das grades através de "provas" conseguidas por tais delegados e com a concordãncia de seus superiores.
    lamentável

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