O Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, vai ter que dar explicações ao Congresso sobre sua participação na Marcha da Maconha, no último dia...

O Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, vai ter que dar explicações ao Congresso sobre sua participação na Marcha da Maconha, no último dia 9. A convocação foi feita pela Comissão de Segurança Pública da Câmara depois de requerida pelo Deputado Laerte Bessa (PMDB-DF).

Laerte Bessa é delegado de polícia e tem uma visão estigmatizada da droga. De acordo com ele, a participação de um agente público caracterizaria apologia ao uso de entorpecentes, tipificado como crime. O deputado considera que “se for permitida a apologia à descriminalização do uso da maconha, deve-se permitir, também, a apologia ao homicídio, ao racismo, à corrupção, pois tudo se resumiria, ao final, de livre manifestação do pensamento”, aspas anotadas pelo site G1.

A falácia tem sido repetida historicamente e não espanta ninguém ver esse tipo de pensamento emanar da mente de um policial. Ele está acostumado a lidar com o problema a partir unicamente da perspectiva da repressão. Que, francamente, não representou solução em nenhuma parte do Planeta.

Os Estados Unidos, país com o maior aparato de represessão da história, têm cerca de 5% da população mundial. Consomem 90% da cocaína produzida no mundo. Se somente a atuação policial pudesse erradicar o tráfico e o consumo, os norte-americanos já teriam há muito se livrado dessa chaga.

A situação degradante dos morros do Rio e da periferia de qualquer metrópole brasileira demonstra, de maneira cabal, que manter as drogas criminalizadas serve apenas para retro-alimentar os vícios de um sistema policial que se confunde com o banditismo. Gera corrupção em massa, que é o pior subproduto da hipocrisia dos que querem manter as drogas criminalizadas.

Não é porque é crime traficar que os traficantes deixam de vender entorpecentes. Ao contrário: pode-se comprar nos ambientes mais seletos — e nas bocas de fumo mais degradantes. Elas estão aí, abundantes e fáceis de encontrar.

Se a polícia não dá conta de resolver o problema, como bem sabe o delegado Laerte Bessa, por que não permitir à sociedade discutir outras formas de abordagem? Comprarar movimentos pela descriminalização com apologia à corrupção é um despropósito sem tamanho nem cabimento.

No mais, a corrupção não precisa de ministros de Estado fazendo sua apologia. Deputados que se apropriam de passagens, verbas públicas, loteiam estatais, empregam fantasmas, partilham salários de funcionários, recebem mesada do governo, vampirizam os bancos de sangue são muito melhores, mais numerosos e baratos.

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