Ponha um bocado de carvão sob uma enorme pressão, espere milhares de anos e você terá um diamante. Daí pode-se depreender, num sofisma, que...

Ponha um bocado de carvão sob uma enorme pressão, espere milhares de anos e você terá um diamante. Daí pode-se depreender, num sofisma, que o tempo é o artífice da transmutação da lenha nas pedras mais preciosas para a humanidade.

Valdir Zwetsch, um jornalista de carreira impecável como repórter e editor de texto,  não tinha a menor idéia de que ele mesmo estava provocando, numa escala de tempo um pouco menor, esse efeito transformador.

Quatro décadas atrás, trancou numa gaveta os negativos de 700 fotos clicadas por ele no Parque Nacional do Xingu, atual Parque Nacional do Xingu. Semanas atrás, quando reviu os negativos, descobriu que eles haviam se transformado em diamantes.

Valdir esteve no Parque em três oportunidades entre 1972 e 1974.  Ali, pode ver e registrar as mais importantes manifestaçôes ancestrais das 14 etnias que habitam o parque.

As fotografias desvelam rituais ainda em estado puro, não-contaminado. Nelas, os índios não se envergonham se sua nudez. Não havia sandálias de borracha, hoje mais disseminadas do que arcos e bordunas nos agrupamentos remanescentes. Dançam com a leveza das bailarinas, guardam os filhos, duelam como bravos, acariciam e protegem os mais novos.  Olhando pela janela aberta por Zwetsch, enxerga-se a última fronteira entre a modernidade  e o paleolítico aborígene.

As fotos estarão exposta na mostra Nu Xingu, entre 23 de março e 24 de abril, na Galeria de Arte da UNICAMP. São trinta impressões que também impressionam pelo apuro da técnica. O fotógrafo, que se auto-define como amador, espreita as cenas de longe, sem interferir nelas. Com o auxílio de uma tele-objetiva, consegue trabalhar com riqueza a profundide de campo em planos detalhistas. Daí a sensação de volume e tridimensionalidade que as fotos provocam.

Quem quiser conhecer os diamantes garimpados no Xingu por Valdir há quase 40 anos pode clicar aqui: www.nuxingu.com.br .

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