Destaques dos jornais de hoje – Valor Econômico

Greves de 80 mil param principais obras do PAC
As principais obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) estão sendo paralisadas não pela austeridade fiscal, mas por algo surpreendente em um terceiro governo do PT: greves de trabalhadores. O Planalto está preocupado e quer agir antes que o movimento se alastre. Estima-se que 80 mil trabalhadores estejam parados. Aos empregados que atuam nas usinas de Jirau e Santo Antônio, em Rondônia, somam-se pelo menos 34 mil de braços cruzados em Suape (PE) – 20 mil na Refinaria Abreu e Lima e 14 mil na Petroquímica Suape, ambas controladas pela Petrobras – e 5 mil em Pecém (CE). Em assembleia, ontem, os operários do consórcio Conest, formado por Odebrecht e OAS, decidiram manter a paralisação das obras da refinaria, que já dura 15 dias.
A presidente Dilma Rousseff pediu ao secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, que se reúna na terça-feira com as centrais sindicais, empresas concessionárias e Ministério Público do Trabalho para tentar chegar a um acordo e impedir a interrupção do principal programa de investimentos do governo. (Págs. 1 e A4)

Solução caseira para troca de direção da Vale
Os acionistas controladores da Vale vão substituir o presidente da empresa, Roger Agnelli, por um dos atuais dirigentes da empresa. Um dos cotados é Tito Botelho Martins, atual diretor-presidente da Inco, subsidiária que produz níquel no Canadá, e diretor-executivo de Operações e Metais Básicos da Vale no Brasil. A decisão será tomada durante assembleia de acionistas marcada para 19 de abril.
Em reunião entre Lázaro de Mello Brandão, presidente do conselho de administração do Bradesco, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ficou acertado que o contrato do executivo não seria prorrogado e que o substituto seria escolhido entre os nomes da diretoria, desde que não fosse alguém ligado a Agnelli. Na assembleia, Nelson Barbosa, secretário-executivo do Ministério da Fazenda e homem da confiança da presidente Dilma, será indicado para o conselho da Vale. (Págs. 1 e D5)

Crédito para pessoa física volta a crescer
As operações de crédito para pessoas físicas voltaram a crescer em ritmo mais firme recentemente, depois que medidas adotadas pelo governo, como a elevação do compulsório, levou a uma desaceleração em janeiro. Em enquetes informais da Acrefi (a associação que reúne as financeiras), executivos passaram a projetar um aumento médio de 15%, em comparação aos 12% de janeiro. Com a expansão no que o Banco Central considera seu limite máximo, há expectativa de novas medidas para conter o crédito. Aumento de compulsório sobre depósitos a prazo, elevação do IOF sobre o crédito e a entrada de capital externo e até compulsório direto sobre operações de crédito são algumas das opções aventadas por bancos e financeiras. (Págs. 1 e C1)

Mercado desafina nas previsões
O mercado está desafinado e imerso em contradições, a julgar pelas previsões tão díspares sobre o comportamento da inflação e do crescimento da economia. O antagonismo dos números mostra que está em curso uma revisão de cenário, decorrente da piora da relação entre expansão e nível dos preços. A piora é global.
A perspectiva de aumento do Produto Interno Bruto varia de 3% a 6,15% no ano, enquanto a previsão para o IPCA oscila num intervalo mais estreito, de 5,13% a 6,91%. Para Caio Megale, economista do Itaú Unibanco, a dispersão relativamente elevada das expectativas de crescimento se deve a dois fatores. O primeiro, o momento de virada do ciclo econômico, de um período de aceleração elevada para outro de desaceleração. O segundo são as medidas macroprudenciais que o Banco Central vem utilizando, cujos efeitos são menos estudados e de difícil previsão. Além disso, a desaceleração tende a afetar a economia com defasagem – ela terá maior impacto no IPCA de 2012. (Págs. 1 e A16)

Vacina proibida contra aftosa pode trazer risco
A sanidade animal da América do Sul pode estar em risco. O Valor teve acesso a fotografias de embalagens de vacina contra aftosa que indicam a manipulação, na Argentina, de uma variedade do vírus que não existe no continente. As imagens dos frascos, feitas em Taiwan, mostram claramente o nome comercial da vacina produzida pelo laboratório argentino Biogénesis-Bagó. A empresa negou a manipulação do vírus alienígena. (Págs. 1 e B16)

Decisão equipara empresas limitadas a abertas para IR
As empresas limitadas ganharam um importante precedente no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (tribunal administrativo ligado ao Ministério da Fazenda) que as autoriza a receber investimentos sem que tenham de pagar Imposto de Renda sobre o montante que contabilmente é registrado como reserva de ágio. Essa é a primeira decisão do órgão que estende para as companhias limitadas o mesmo benefício já permitido por lei às empresas de capital aberto. O ágio é a diferença entre o valor pago pelo título e o valor nominal do papel.
Os conselheiros entenderam que esses investimentos – registrados como ágio – não podem ser considerados lucro e, portanto, não poderiam ser tributados, por não existir previsão na Lei do Imposto de Renda. O caso julgado pela 1ª Seção do órgão refere-se a uma empresa de automação de Campinas (SP) que recebeu investimentos, dos quais R$ 80 milhões contabilizados com reserva de ágio. A companhia foi autuada porque a Receita Federal entendeu que ela deveria recolher o imposto sobre esse montante. A Fazenda avalia se vai recorrer da decisão. (Pàgs. 1 e E1)

Triangulação dribla barreira antidumping
Empresas beneficiadas por medidas antidumping contra produtos da China registraram o aumento das importações desses artigos com origem em outros países e levaram denúncias à Receita e ao Ministério do Desenvolvimento sobre a triangulação. Entre os setores mais prejudicados estão os de calçados, produtos magnéticos, escovas de cabelo e armações para óculos.
A Supergauss, fabricante de itens magnéticos, tem de concorrer no mercado doméstico com ímãs para alto-falantes a preços inferiores aos cobrados no resto do mundo, que driblam a barreira antidumping. Roberto Barth, diretor comercial, trocou uma série de e-mails com uma empresa chinesa que, sem saber que tratava com um concorrente local, descreveu os meandros de transferências para a Malásia. No texto, a empresa diz que faz o mesmo para outros clientes no Brasil. (Págs. 1 e A6)

Brasil Supply busca sócio para plano de investimentos de R$ 6 bi, diz Barbosa (Págs. 1 e B1)

Recuperação do Frigol
Os credores do Frigol aprovaram ontem, em assembleia, o plano de recuperação judicial do frigorífico, que tem dívidas de R$ 170 milhões. O plano prevê o pagamento a fornecedores e pecuaristas em três anos, sem carência. (Pág. 1)

Zara acelera expansão
A Inditex, a maior varejista mundial do setor de vestuário, dona da rede Zara, pretende inaugurar até 500 lojas neste ano. O mercado brasileiro está incluído no plano de expansão, mas a empresa não informou o número de lojas a serem abertas no país. (Págs. 1 e B4)

Entraves portuários
A Hamburg Süd calcula que teve custos adicionais de US$ 118,1 milhões no ano passado em consequência de atrasos na atracação de navios e cancelamento de escalas nos portos nacionais. (Págs. 1 e B12)

Nova fábrica da Italac
A Italac, quinta maior empresa de captação de leite no país, estuda a construção de uma nova unidade para ampliar a produção de sua linha de lácteos. O investimento pode chegar a R$ 60 milhões, diz Cláudio Teixeira. Dois Estados poderão receber o empreendimento. (Págs. 1 e B16)

Gargalo financeiro
Pesquisa da Câmara de Comércio Internacional, com 210 bancos de 94 países, mostra que essas instituições acreditam que o novo acordo de Basileia 3 terá impacto “negativo ou muito negativo” no financiamento do comércio mundial. (Págs. 1 e C2)

Resseguros
Após pressão de grupos seguradores estrangeiros, o governo deverá autorizar que até 20% das operações de resseguro sejam transferidas para o exterior entre empresas de um mesmo grupo. (Págs. 1 e C3)

Debêntures de saúde
Ainda pouco financiado pela emissão de dívidas no mercado de capitais, o setor de saúde vai emitir nos próximos dias pelo menos R$1,8 bilhão em debêntures do Hospital São Luiz e da Diagnósticos da América (Dasa). (Págs. 1 e C8)

Juízes federais ameaçam greve
Os juízes federais decidem hoje se entram em greve ou realizam uma paralisação de 24h em 24 de abril. A categoria reivindica aumento salarial de 14,69%. (Págs. 1 e E1)

Ideias
Ribamar Oliveira
Atual sistema previdenciário do servidor público contribui para a perversa desigualdade de renda no Brasil. (Págs. 1 e A2)

Ideias
Gustavo Loyola
Proliferam medidas “macroimprudenciais”, como a expansão dos desembolsos do BNDES turbinada pelo Tesouro. (Págs. 1 e A15)

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