Sérgio Ramalho, do Globo – A deficiente visual Maria Aparecida Silva, de 60 anos, vive com o filho desempregado num casebre de madeira numa...

Sérgio Ramalho, do Globo –

A deficiente visual Maria Aparecida Silva, de 60 anos, vive com o filho desempregado num casebre de madeira numa área de risco no alto do Morro São Sebastião, em Realengo, na Zona Oeste. Cadastrada no programa do governo federal Minha Casa Minha Vida, sua família é uma das 74 da região que foram impedidas por milicianos de ocupar, em fevereiro passado, apartamentos no Condomínio Ferrara, em Campo Grande.

Invadidos pela milícia do ex-PM Ricardo Teixeira da Cruz, o Batman, os 143 apartamentos de dois quartos e sala eram destinados ao reassentamento de famílias com renda inferior a três salários-mínimos, mas vinham sendo vendidos ilegalmente por valores que variavam de R$ 5 mil a R$ 40 mil. Até uma imobiliária de fachada era usada nas negociações.

Na manhã desta quinta-feira, por determinação da Justiça, que atendeu a um pedido da Caixa Econômica, uma operação da PM e da Polícia Federal será realizada para a retomada dos imóveis. Na quarta-feira, oficiais de Justiça, apoiados por policiais militares e funcionários da Secretaria municipal de Habitação, entregaram notificações aos invasores , com prazo de 24 horas para que deixassem os apartamentos. Os futuros moradores, contudo, temem represálias dos paramilitares, que ameaçam expulsar os reassentados e depredar os imóveis.

Por telefone, uma mulher identificada como Elizangela disse a um repórter do GLOBO que um apartamento no conjunto custaria R$ 40 mil, mas sem a documentação. O valor supera em muito o cobrado pelos milicianos em fevereiro. Na ocasião, muitos invasores teriam pagado ao grupo paramilitar entre R$ 2 mil e R$ 7 mil.

Secretário: PMs não se empenharam
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duas semanas, uma equipe do GLOBO fez contatos simulando querer comprar um dos apartamentos invadidos no conjunto, localizado na Estrada dos Caboclos. Na imobiliária Cooperativa – que faz propaganda da venda dos imóveis, mas não tem inscrição na Junta Comercial -, Elizangela descreveu os apartamentos, dando as mesmas dimensões (42 metros quadrados) das unidades do Minha Casa Minha Vida. Segundo ela, imóveis com documentação são vendidos por R$ 60 mil:

– Mas sem documento pode sair por R$ 40 mil – ofereceu.

No início do mês, O GLOBO revelou que a milícia do ex-PM Batman estava cobrando taxas de segurança de cerca de dez mil moradores de 2.709 imóveis, em 11 conjuntos do Minha Casa Minha Vida, em Campo Grande, Cosmos e Realengo. Na ocasião, o secretário municipal de Habitação, Jorge Bittar, disse que a atuação dos grupos paramilitares poderia pôr em risco a continuidade do programa, que prevê a entrega este ano de 12 mil unidades, 80% delas na região. Bittar acrescentou que, em fevereiro passado, pouco após as invasões, os PMs designados para atuar no local não se empenharam no combate aos milicianos:

– Na época, testemunhas disseram ter visto milicianos armados no condomínio, mas os PMs não prenderam nenhum deles – disse Bittar.

O controle dos novos condomínios por milicianos foi tema da série do GLOBO “Vidas em bloco”, sobre os cem anos dos conjuntos habitacionais do Rio, publicada no início deste mês . Uma das reportagens mostrou que a polícia também investiga a atuação da milícia de Batman nos condomínios Livorno, Trento e Treviso, todos do Minha Casa Minha Vida, em Cosmos. Neles, foram vistos símbolos do grupo paramilitar pintados nos muros, embora houvesse assistentes sociais da prefeitura há três meses no local.

Clique aqui para ler a íntegra no site do Globo

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