Fusão da Perdigão com a Sadia corre risco no Cade O início do julgamento da compra da Sadia pela Perdigão no Conselho Administrativo de...

Fusão da Perdigão com a Sadia corre risco no Cade
O início do julgamento da compra da Sadia pela Perdigão no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deu forte indicação de que o órgão pode vetar o negócio que criou a BRF – Brasil Foods. O relator do processo, conselheiro Carlos Ragazzo, reprovou a operação e indicou que, se o seu voto prevalecer, a união entre as empresas deverá ser desconstituída em dez dias após a publicação do resultado do julgamento no “Diário Oficial”. O voto fez a cotação das ações da BRF cair 6,3% e o valor de mercado da empresa encolher em R$ 1,5 bilhão, retornando a R$ 22,8 bilhões, o mesmo da época da fusão, em setembro de 2009.
Segundo Ragazzo, com a operação haveria risco de aumentos nos preços dos produtos vendidos pelas duas empresas aos consumidores, como carnes, frangos, perus e outros. Todos os conselheiros fizeram elogios à conclusão, mas houve pedido de vista do conselheiro Ricardo Ruiz. “Eu não tenho dúvidas sobre a conclusão, mas são 500 páginas e vou pedir vista para ler o voto”, disse Ruiz.
Com isso, a BRF terá mais uma semana para apresentar uma nova proposta ao Cade. Ou a Brasil Foods apresenta um plano aceitável, ou sua criação será reprovada. Essa proposta deve ser apresentada antes do dia 15, quando o julgamento será retomado. (Págs. 1 e C1)

Gleisi já era a preferida de Dilma
A escolha da senadora Gleisi Hoffmann para substituir o ministro Antonio Palocci na Casa Civil foi uma decisão solitária da presidente Dilma Rousseff. Ela consultou na segunda-feira o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que desde a transição de governo sabia que Gleisi era a opção de Dilma para o cargo.
A nova ministra é respeitada no PT e deve compor com Dilma e com o ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio Nóbrega, o triunvirato que vai se ocupar da coordenação política do governo a partir de agora. Por enquanto, Luiz Sérgio (PT-RJ) fica, mas não é aposta de longo prazo.
A prioridade política do Planalto, agora, é acabar com o clima de guerra no PT da Câmara e reconciliar o vice, Michel Temer (PMDB-SP), com a presidente. Em seu discurso de posse, Gleisi Hoffmann mencionou pelo menos duas vezes o nome do pemedebista. (Págs. 1 e A6 a A9)

Votorantim quer US$ 2,6 bi do exterior
A Votorantim sonda bancos para definir qual deles vai liderar um empréstimo de US$ 2,65 bilhões com prazo de até nove anos. A empresa está se aproveitando da grande liquidez no mercado de crédito externo para melhorar o perfil de seu endividamento, além de liberar o caixa para investimentos.
A empresa pretende que uma parcela de US$ 1,5 bilhão corresponda a uma linha de crédito rotativo, com vencimento em cinco anos. Nessa linha, semelhante a um cheque especial, a companhia paga uma comissão para ficar com os recursos disponíveis, mas só saca se precisar. Além disso, faz parte do planejamento da Votorantim obter um empréstimo vinculado à exportação com parcelas de sete, oito e nove anos, no total de US$ 1,15 bilhão.
Outras empresas brasileiras, como a Samarco, também estão em busca de recursos no exterior. (Págs. 1 e C1)

Rio Bravo faz sua estreia no setor elétrico
O fundo de “private equity” Rio Bravo, do ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco, vai estrear no setor elétrico. Ele fechou parceria com o grupo mineiro Orteng para juntos investirem R$ 1 bilhão nos próximos cinco anos na construção de 11 pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), em um movimento semelhante ao de outros fundos brasileiros com peso no mercado. Na semana passada, a gestora de outro ex-presidente do BC, a Gávea, de Armínio Fraga, oficializou um aporte de R$ 200 milhões na MPX Energia, empresa de geração do empresário Eike Batista.
O sócio e cofundador da Orteng, Ricardo Vinhas, diz que das 11 PCHs que serão transferidas à RBO Investimentos, que já nasce como sociedade anônima, duas terão a construção iniciada em 2012. A estratégia é vender a energia no mercado livre, que dá incentivos aos consumidores que compram o insumo desse tipo de empreendimento. (Págs. 1 e B1)

Índios temem conflitos por terras na área de Belo Monte
A violência que atinge o Pará começa a se aproximar das aldeias indígenas do complexo do Xingu, região onde será construída a hidrelétrica de Belo Monte. A pressão sobre as aldeias é feita por grileiros e fazendeiros da região. As terras indígenas Juruna do Km 17, Apyterewa, Arara da Volta Grande do Xingu e Paquiçamba, todas na área de influência da hidrelétrica, são os principais alvos dos possíveis conflitos. O presidente da Associação dos Índios Moradores de Altamira, Luiz Xiporia, disse ao Valor que os índios que vivem no entorno de Belo Monte passaram a ser constantemente ameaçados de morte. “Se nada for feito, poderá haver uma catástrofe na região”, afirmou. A construção de Belo Monte vai aumentar a grilagem de terras e os conflitos com as tribos que vivem próximas ao local da hidrelétrica.
Os próprios índios estão divididos em relação ao projeto e divergem até dentro das etnias. Os caiapós, por exemplo, que vivem em aldeias do baixo, médio e alto Xingu, não se entendem sobre o que pensam da hidrelétrica. O principal símbolo da reação indígena contra o projeto, a índia caiapó Tuire, que em 1989 ameaçou com um facão o então presidente da Eletronorte e hoje presidente da Eletrobras, José Antonio Muniz Lopes, agora é favorável ao projeto. (Págs. 1 e A16)

Novellis usa mais material reciclado
O desequilíbrio entre oferta e demanda de matéria-prima levou a Novellis, maior fabricante mundial de produtos laminados de alumínio, a planejar um aumento do uso de material reciclado. A meta é chegar a 2020 com 80% da produção sendo feita a partir de alumínio reutilizado. Hoje, mundialmente, a proporção é bem menor, de 34%. A maior parte do material é proveniente da coleta de latinhas de cerveja e refrigerantes, refundidas e transformadas em lingotes.
A empresa está aumentando a capacidade de produção da sua fábrica de Pindamonhangaba (SP), mas também houve redução na oferta porque no ano passado o próprio grupo teve de fechar a fundição de Aratu (BA), que fornecia mais de 50 mil toneladas de metal por ano. O custo da energia reduziu a competitividade da produção da fábrica, explicou Alexandre Almeida, presidente da Novelis na América do Sul. (Págs. 1 e B1)

Escalada da energia
O aumento do custo da energia elétrica tem feito grandes indústrias concentrarem esforços na busca da eficiência energética, mas esses investimentos não têm compensado o aumento do preço do insumo nos últimos anos. (Págs. 1 e A3)

Brasil reage à taxação de aéreas
Sem interesse em adotar controles nas emissões de carbono do setor aéreo idênticas às normas europeias, o Brasil busca apoio de outros países emergentes para uma reação conjunta às exigências dos europeus. (Págs. 1 e B7)

DHL também aposta no pré-sal
A DHL, uma das maiores empresas de logística do mundo, aposta no transporte de cargas pesadas para companhias do setor de petróleo e gás para aumentar o seu faturamento no mercado brasileiro. (Págs. 1 e B11)

Algodão sustentável
O Brasil se prepara para colher a primeira safra de algodão segundo os padrões “better cotton”, que visam colocar no mercado fibras produzidas de acordo com critérios de sustentabilidade, diz Andréa Aragón. O projeto-piloto inclui dez grandes propriedades em quatro Estados. (Págs. 1 e B13)

Embarques de trigo
Segundo maior importador mundial de trigo, o Brasil passou também à lista dos dez maiores exportadores do cereal, segundo levantamento da consultoria Safras & Mercado. O principal destino foi o continente africano, com 69,5% do total embarcado. (Págs. 1 e B14)

Sem surpresa, Selic vai a 12,25%
Em decisão já esperada pelo mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, anunciou ontem a elevação da taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, para 12,25% ao ano, o maior nível desde janeiro de 2009, quando era de 12,75%. (Págs. 1 e C2)

Investimentos responsáveis
Uma nova classe de ativos, os “investimentos de impacto”, ganha força no portfólio de empreendedores brasileiros. A proposta é injetar recursos em empresas ou projetos inovadores, com reflexos claramente positivos em termos sociais e ambientais. (Págs. 1, D1 e D2)

Ideias
Robinson Borges
Na era digital, a legislação brasileira ainda precisa redefinir o conceito de “livro” de uma forma mais abrangente. (Págs. 1 e A2)

Ideias
Marcio Pochmann
O Brasil ainda não está condenado a ter de participar da nova onda de desindustrialização em favor dos países asiáticos. (Págs. 1 e A11)

Comentários


Sem comentários ainda.

Comente!

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *