Publicado no Blog do Reinaldo Azevedo . A palavra “honesta” entre colchetes no título é por minha conta. Eu não publico porque não quero por...

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Publicado no Blog do Reinaldo Azevedo . A palavra “honesta” entre colchetes no título é por minha conta.

Eu não publico porque não quero por aqui os partidários do JEG (Jornalismo da Esgotosfera Governista), vocês sabem… Mas todo dia chegam manifestações mais ou menos assim: “Aí, hein… Depois que o Paulo Henrique Amorim ameaçou te processar, você (NR: eles misturam os pronomes, e esta é a menor das porcarias que fazem num texto…) parou de falar do caso Heraldo Pereira!” Parei? Então não fui avisado por mim mesmo. Não parei, não! Havendo novidade, cá estou! Não havendo, mas dando vontade, idem!

Bem, não vou aqui fazer memória longa da história, que vocês conhecem de sobejo. Um acordo judicial obrigava Paulo Henrique Amorim — sim, ele tem obrigações a cumprir — a publicar uma retratação em seu blog e em dois jornais: Folha e Correio Braziliense. Vocês se lembram: ele foi processado por Heraldo na área cível — há um outro processo na criminal, movido pelo Ministério Público Federal e já aceito pela Justiça — por ter afirmado que o jornalista é um “negro de alma branca”, entre outras delicadezas. Também afirmou que seu desafeto não tem outra razão para estar onde está, exceto o fato de “ser negro e de origem humilde”.

Pois bem: Amorim resolveu publicar a retratação no meio de textos que, na prática, reiteram tudo o que havia dito antes — só que, nesse caso, recorrendo a palavras de terceiros, claramente endossadas por ele. Também inventou um troço estapafúrdio: segundo ele, com a retratação — FEITA POR ELE, NÁO PELO OFENDIDO, É ÓBVIO —, Heraldo estaria admitindo que ele não é racista. Falso! O jornalista não admitiu nada. Até porque, advogado que também é, foi admitido como assistente de acusação no processo criminal.

Pois bem! O advogado de Heraldo voltou à Justiça para acusar o descumprimento do acordo judicial. Na imagem lá no alto, vai a sentença do juiz Daniel Felipe Machado, que intima o “réu” (ele é “réu”, o que faz questão de omitir) Paulo Henrique Amorim a:
1) fazer a retratação “ipsis litteris” e sem comentários no mesmo post;
2) publicar a retratação nos jornais que constam do acordo, “sem comentários no mesmo espaço”.

Relembro o conteúdo da retratação:
“Retratação de Paulo Henrique Amorim, concernente à ação 2010.01.1.043464-9:
Que reconhece Heraldo Pereira como jornalista de mérito e ético; que Heraldo Pereira nunca foi empregado de Gilmar Mendes; que, apesar de convidado pelo Supremo Tribunal Federal, Heraldo Pereira não aceitou participar do Conselho Estratégico da TV Justiça; que, como repórter, Heraldo Pereira não é nem nunca foi submisso a quaisquer autoridades; que Heraldo Pereira não faz bico na Globo, mas é funcionário de destaque da Rede Globo; que a expressão ‘negro de alma branca’ foi dita num momento de infelicidade, do qual se retrata, e não quis ofender a moral do jornalista Heraldo Pereira ou atingir a conotação de racismo.”

Jamais se esqueçam: Paulo Henrique escreveu e reiterou aquelas coisas por meio de terceiras pessoas tendo no alto da página a marca dos “Correios”, uma estatal. No momento, a sua homepage remete a ataques a Gilmar Mendes, um ministro do Supremo; a José Serra, um dos líderes da oposição, e, de novo!, a Heraldo Pereira com propaganda da Caixa Econômica Federal.

Isso quer dizer que uma estatal patrocina o ataque a um ministro do Supremo (e o que vai lá é ataque, não crítica); a um adversário do governo federal (e o que vai lá é ataque, não crítica) e, pasmem!, a um jornalista, de quem ele resolveu que poderia fazer certas cobranças porque seu alvo, afinal, é negro (e o que vai lá é ataque, não crítica). A Caixa já inventou um Machado de Assis branco e teve de se retratar. Agora, financia textos que, na prática, dizem que o negro Heraldo Pereira tem alma branca. Fosse uma tentativa de elogio, seria uma ofensa. Como é uma ofensa, então ofensa é.

Por Reinaldo Azevedo

Comentários

  • mts

    14/03/2012 #1 Author

    Algo honesto vindo de um amante do mensalao??
    Puxa..o juiz apelou agora.

    Muita crueldade com o PHA.

    Honestidade e petismo sao coisas antagonicas.

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  • Jacutinga

    06/03/2012 #2 Author

    Huumm!!! Em se tratando de PHA, eu já senti a catinga…
    Como estou muito calmo e bonzinho hoje, recomendo ao distinto blogueiro PHA que CUMPRA IMEDIATAMENTE o acordo que humilhantemente aceitou e assinou pela boa vontade do jornalista ofendido, e , exatamente como determina a sentença judicial {verdade PHA, você não foi condenado, somente sentenciado). Imagine distinto blogueiro, se o Exmo Dr Juiz manda prende-lo. Imagine quantas “almas brancas” vão estar esperando você no xilindró !!! Cuidado malandro, pois, depois que apagam as luzes, “vixe” Nossa Senhora, todos os “gatos” são pardos (e sem nenhum preconceito)….

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  • Adriano Ferro de Oliveira

    06/03/2012 #3 Author

    Desde o início o ‘jornalista’ (sic) Paulo Henrique Amorim vem escarneando do acordo homologado judicialmente, o qual, se não foi proposto por seus advogados, foi no mínimo incentivado por estes a aceitá-lo, dado a altíssima probabilidade de ser condenado no juízo cível a vultuosa indenização pelas aleivosias publicadas em desfavor de Heraldo Pereira.
    Se, de um lado, o acordo foi altamente favorável à defesa, o mesmo não pode ser dito de Heraldo Pereira. Obviamente, o autor não tinha nenhum interesse especial nos valores acordados, tanto que doou a uma instituição de caridade os R$ 30.000,00.
    Se não havia interesse pecuniário específico, sua única intenção era o da retratação pública de PHA, a fim de que lhe fosse mitigado os danos pessoais e profissionais. Este é um ponto que não tem sido devidamente explorado.
    Assim que publicada a existência do acordo, PHA passou a se valer da pena alugada de outros para continuar a atacar Heraldo Pereira, causando-lhe prejuízos à imagem quase tão graves quanto os que motivaram a ação original.
    Deste modo, qual a vantagem na celebração do acordo para Heraldo Pereira, se ele continua a ser vítima da perseguição dos asseclas de PHA? Ademais, comentários ‘anônimos’ aos posts relacionados ao fato continuam a agravar-lhe a honra. O acordo deveria ser denunciado e o processo seguir sua regular instrução.

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  • André

    06/03/2012 #4 Author

    Juro que não conhecia seu trabalho mais a fundo.Só mesmo quando te via na tela da Band,que por sinal é a emissora aberta onde assisto jornais.Fiquei surpreso ao conhecer essa página,gostei,vou frequenta-la.

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    • Gonçalo Osório

      06/03/2012 #5 Author

      Resumo fácil da argumentação acima: se é para atacar alguém que não comunga com as “idéias” (quais? aqui é puro proselitismo político) do autor, vale qualquer xingamento. Até o de cunho racista. Negro bom é o negro que defende as tais “idéias”, é isso? Quando um alguém como PHA passa a ser inspiração dessa gente, dá para se ter uma idéia de que tipo de gente se trata. Lixo moral.

  • Ricardo Cintra

    06/03/2012 #6 Author

    Fico impressionado com o nivel da discussão a respeito do racismo no Brasil. Nao quero ser advogado ou acusador, como muitos estao tentando ser quando falam desse caso PHA x HP. Quero apenas colocar como vejo isso tudo. Se estou enganado, por favor me corrijam, mas o Heraldo Pereira nao e’ aquele jornalista da Globo que nunca faz comentários quando a empresa de comunicacao em que ele trabalha se posiciona contra qualquer avanço referente a comunidade negra no Brasil?! (estou morando fora do Brasil ha mais de uma decada, mas acompanho muitos noticiarios da TV brasileira).. Nunca vi ou ouvi o Heraldo Pereira falar sequer uma palavra quando a Rede Globo se posiciona contra as comunidades quilombolas, contra as cotas nas universidades ou, ainda, sobre o livro fundamentalmente contra as cotas “Não somos racistas” escrito por Ali Kamel – diretor de jornalismo da Rede Globo, ou seja, chefe do Heraldo. Entre as perolas desse livro estao: 1- “num país em que acessos a empregos públicos e vagas em instituições de ensino público são assegurados apenas pelo mérito….” e 2- “Com a adoção de políticas de preferência racial, o que se viu foi uma das mais sangrentas guerras civis”. Ai vem a expressão “negro com alma branca”, utilizada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim, aflorar em Heraldo Pereira a sua “negritude”? Talvez PHA tenha sido mais negro que o Heraldo quando fez uma critica ao livro do Kamel (ironizando essa pais utopico narrado no livro, onde tudo se consegue com merito, sem a necessidade de cotas). O mais curioso, ainda, e que o chefinho Ali Kamel foi testemunha de acusação neste processo contra o Paulo Henrique Amorim. Outra testemunha de acusação nesse mesmo processo foi ministro do Supremo Gilmar Mendes – citado por muitos como representante da elite branca-burguesa-ruralista do Brasil – que ha poucas semanas votou contra a “Lei do Ficha Limpa”. Pra concluir queria dizer que sou “branco na cor, mas negro demais no coracao”.

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    • Gildo Araújo

      06/03/2012 #7 Author

      O cantor Agnaldo Timóteo já declarou que é contra todos os tipos de cotas para negros. Ao negro Heraldo Pereira, funcionário da TV Globo, não é dado a chance de pensar diferente.

      Kadafi, o “grande líder e amigo” de Lula da Silva pensava igual.

      Lamentável.

    • Gildo Araújo

      06/03/2012 #8 Author

      E por falar em elite branca-burguesa-ruralista, qual a sua opinião sobre o Ministro das Cidades, Agnaldo Ribeiro, neto do usineiro Agnaldo Veloso Borges, acusado de ter mandado matar Elizabeth Teixeira, protagonista do filme “Cabra Marcado pra Morrer”, de Eduardo Coutinho e abatida com um tiro de 12 no rosto?

    • Gildo Araújo

      06/03/2012 #9 Author

      PHA afirmou que Heraldo não tem nenhum talento, ou seja, segundo sua opinião, Heraldo não pode colocar seu “chefinho” como testemunha? O chefe de Heraldo não seria a pessoa mais apta para afirmar sobre o talento do jornalista? Fala sério!

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