Nada indica que José Sarney deixará a presidência do Senado. Apesar dos pecados que continuam aparecendo, ele não dá nenhum sinal de que pode...

Nada indica que José Sarney deixará a presidência do Senado. Apesar dos pecados que continuam aparecendo, ele não dá nenhum sinal de que pode cometer o “ato de grandeza” da renúncia. Vai continuar lá, agarrado ao osso, mesmo que isso implique no desgaste total de sua imagem pública.

E deve isso ao PT, cujos 12 senadores, claudicantes, não foram capazes de se posicionar frente à crise. O PT alternou ciclotimicamente posições dúbias ao longo dos últimos dois meses. A maioria da bancada diz ser a favor do afastamento do atual presidente do Senado, mas não teve coragem nem autonomia suficientes para firmar um documento formalizando a posição.

Chegam a ser risíveis aos arroubos de inconformismo na turma petista. Com discursos tímidos endereçados à opinião pública, tentam embalar as conveniências de emprestar sua representatividade a uma causa abjeta, que desmoraliza o ambiente político, e evitar as consequências negativas advindas dos últimos movimentos.

Eleitos ainda pela esperança de que os combativos militantes do passado pudessem ajudar a moralizar a política brasileira, daqui a pouco esses parlamentares do PT vão ter que se defrontar com as urnas. É provável que a tibieza do presente provoque a posentadoria precoce de muitos deles.

O único elemento que poderia impedir isso seria a contaminação dos eleitores petistas pelo espírito de oportunidade e pelo amolecimento da consciência que acomete seus representantes. É improvável que isso tenha se dado, uma vez que o cidadão comum não engole a troca de valores nem digere o oportunismo do ambiente político.

Caso os resultados das próximas eleições confirmem o prognóstico, estará sacramentado o preço do apoio dissimulado dos senadores do PT a Sarney. É claro que uma boa parte da conta se deve também a outras questões. Mas nenhuma tão recente e tão restrita ao ambiente onde se dá a atuação parlamentar como esta última, que diz respeito às indecorosas práticas políticas que governam o Senado.

Sarney, desde já, deve essa ao PT.

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